Tocha Olímpica: A chama nos impõe a retomada de um processo próprio de manutenção da vida neste território

  • 26 de Julho de 2016

Por Fernando Amarante Dão*

Toda a formação do real, desde as presenças mais elementares aos deleites virtuais da humanidade, se ancora numa proposição sumária de predomínio intelectual e cultural partidos da herança grega. De demarcação assentada em favor do poder e do desmando, o território Brasileiro comanda, patrimonial, a chegada dum anseio perdido sobre as fundações do homem atual na Terra: o Fogo

Mesmo ainda mantidos os regimentos gregos sobre as conclusões totais da vida e do convívio, de organização e instituição de premissas cultivadas pelo peso da história, nossas reais fundações indígenas colidem com as pretensões escalares da filosofia fundada no pensamento grego.

Para além do fato, o fenômeno da tocha olímpica, nas circunstâncias deprimentes do Brasil herdado pela mão da nobre soberania política - mesmo que biologicamente inadequado a ela, representa uma decisão final sobre todas as imposições sedimentadas na história pela condescendência intrínseca dos sujeitos/súditos a teorias de organização alheias ao corpo comum conjunto local.

A chama nos impõe a retomada de um processo próprio de manutenção da vida neste território, no território onde cada questão se aplica; que é o chão do mundo todo; o lugar onde a cultura sedimentada estabelece a existência de um aglomerado humano, que, por seu tratamento, o mantém.

Eliminar as frustrações cultivadas pelo apreço à preponderância intercultural do dominador e refundar as relações internas, próprias e naturais do convívio posto a se dar neste solo é o passo crucial de nossas determinações enquanto povoamento milenar subjugado durante séculos.

Perimetrado politicamente, nas determinações de uma teoria social inadequada às nossas potências criativas e orgânicas, nosso fracasso é notório e se estenderá até surgirem os relatos finais de extinção das referências naturais que ainda atuam em nosso favor.

Enquanto povo indígena, valido da força de sua Terra, nossas resoluções são ansiadas por povos indígenas do mundo todo, índios ou não, pois que estamos na última fronteira de depreciação natural e eliminação total dos poderes terrestres de organização do corpo vital do convívio.

Refundar as bases humanas do corpo comum de envolvimento e rechaçar as predominâncias históricas da supressão cultural nos permite assumir as posições naturais de assimilação do encontro, respeitando as necessidades locais que envolvem fatores incapazes de serem subtraídos em prol da imposição de um sistema unificado de gestão do convívio.

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* Fernando Amarante Dão é integrante da RAiZ - Movimento Cidadanista em Itajubá (MG)


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