Solidariedade aos Artistas de Mossoró

  • 03 de Fevereiro de 2016

por Joselito Coringa Bezerra - 

O que já não se encontra em plano nenhum da maioria das cidades potiguares, em orçamento nenhum das indigestas secretarias existentes, vira alvo de corte profundo movido pelo apelo midiático da crise, surge como fantasma no labirinto obscuro dos gabinetes e começa a assustar os artistas, produtores culturais em plena luz do dia. Esse mesmo filme já foi rodado aqui em Carnaubais-RN, com desrespeito aos astros que a nossa modesta cultura popular já produziu com naturalidade: Desde a grande cantora do rádio Núbia Lafayette, do violonista 07 cordas Francilúzio Martins, do Brincante de Boi Bumbá Mané Tatú, dos Seresteiros Solteirinho, Chiquinho Domingos, dentre tantos outros que em vida se arvoram nas veredas do fazer artístico.

Nascido neste pequeno município da riquíssima região cultural do vale do Açu, disse não à extinção da Secretaria Municipal de Cultura, ocasião em que pouquíssimas vozes da inteligência varzeana ressoaram contrárias ao equívoco cometido pelo prefeito da cidade, confirmando aqui nesta ribeira a desfaçatez e sutileza sustentada no paradoxo do falacioso, controverso, mercantilista, que descumpre o direito constitucional misturando no mesmo liquidificador o faz de conta com a subserviência posta de plantão. Nesse momento deixo registrado esse novo manifesto de pesar absoluto, agora no rumo da capital do Oeste, de forma livre, imune à motivação partidária, como conselheiro do Setorial de Música, membro titular do CNPC Conselho Nacional de Politicas Culturais, músico e cidadão potiguar, digo não a este atual surto antipopular e ditatorial que vem tratando o direito do nosso povo de ter acesso à cultura, com mero descaso a constituição.

Posiciono-me fortemente a favor de uma grande mobilização para dizer não a esse ato de mutilação dos esperançosos artistas de Mossoró-RN, que também acabam de perder a Secretaria de Cultura. Precisamos motivar a cidade do espetáculo Chuvas de Bala, do Teatro Lauro Monte Filho, do Sal Grosso e Refinado, da efervescência cênica do Pão Doce, Máscara, Escarcéu e Tarará, da canção de Elizeu Ventania, dos versos de Antonio Francisco, das proezas de Luiz Campos, das criações de Rogério Dias, da Areografia de Marcelo Morais, das atuações de Ludimila Albuquerque, das composições de Mazinho Viana, do baião do Brazuka Jazz, do canto das Liras e do Vina, do coco de Concriz e Zé Ribamar, dos poetas novos e da Poema, dos livros de Celina Duarte, da Coleção Mossoroense, das cantigas marejadas de Genildo Costa, das aventuras de Diego Ventura, das esculturas de Escravo da Arte, de Jonas Filhos, Netinho, legião dos cantores e cantoras da praça de convivência, do Sábado no Sêbado, Triângulo do Trio Mossoró, do Ecoart e do Violão e Arte, do memorial da resistência, das pegadas de Lampião, do Cultura que não é vento e a corajosa iniciativa do Cultura Viva que faz frente a esse sentimento.

Abraço a todos vocês talentosos músicos e demais artistas locais, vamos ecoar esse grito coletivamente, juntarmos as mãos, expor nos meios de comunicação esse retrocesso cultural, dando um exemplo de civilidade, armando a bandeira criativa para o debate construtivo, afinando as violas do repente para o desafio, unindo os textos dos cronistas para as redes sociais, dos personagens falantes para as palavras de ordem, da presença marcante das personalidades culturais para o fortalecimento dos fóruns e conselhos. Não deixar de perguntar em que pé está o Plano Estadual de Cultura, as adesões, os acordos, as leis de incentivo e os editais? Unir nessa luta todos os setoriais, misturando os pincéis e as tintas para o manifesto pacífico, acordando o conto dos cordelistas para o confronto metrificado, dos resistentes malabaristas para o abre alas dos becos, dos capoeiristas para encenação firme da defesa, chamando os amantes de todas às artes para o cortejo em praça pública, botando literalmente o circo na rua. Não vamos deixar que esse vírus exterminador de sonho e protagonismo se reproduza no restante das cidades brasileiras. Estamos vivos e avante. Viva o movimento Cultura Viva na terra do Auto da Liberdade.

Zelito Coringa

Músico do Vale do Açu – Setorial de Música/CNPC


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