São Paulo - ATA da 2ª Teia Estadual de São Paulo

  • 26 de Novembro de 2016

ATA da 2ª Teia Estadual de São Paulo



 



 



     Em Cotia na Rua Nitaro Nakamura, 142 – Jardim Sabiá, no dia 26 de novembro de 2016, às 09:00 – 19:00 hr, realizou-se a 2ª Teia Estadual de São Paulo, com 23 Cidadanistas presentes, a saber:



Acauã Rodrigues, Airton Francisco, Bruno Humberto Alves da Silva, Camila Menezes Trindade Macrini, Carla Bertolucci Fiadi, Celi Pereira, Felipe Pinheiro, Ivan Zumalde, João Eduardo Ouro Preto dos Santos, Juliano Tadeu Mattos, Lúcio Barth, Maria Egênia Oreggia Galvão, Mario Nakane, Nelson Cabrera Roberto Carlos C Marcondes de Campos, Sônia Marques da Silva, Victor Amadeus, Viviane Ferreira de Lima, José Milton Cardoso de Moura, Ludwig Costa Rufino, Geraldo doo Nascimento, Fernanda R. Marques, Célio Turino; cidades representadas: Araçoiaba da Serra, Campinas, Cotia, Guarulhos, Itapetininga, Jundiaí, Leme, São Paulo, Praia Grande. Adiante, iniciou-se a pauta referente ao Check-up Raiz, Reestrutura da Organização da Esfera Estadual, Eleição da Esfera Estadual, a saber:



Após as apresentações, os participantes foram divididos em dois grupos regionais, Capital com Região Metropolitana, e Interior, para análise de conjuntura Local/Regional. Os principais pontos destacados pelos grupos, foram:



- Não abandono dos movimentos populares;



- Dialogar com as pessoas em geral (diferenciando-se da esquerda);



- Romper com a cultura das “figuras públicas salvadoras”;



- Pensar relações orgânicas entre os territórios;



- Mudar a linguagem de comunicação tornando menos técnica/acadêmica ou militante;



- Desconstruir o discurso neopentecostal de esperança;



- Repensar o efeito globalizante e a dicotomia entre capital e trabalho;



- Necessidade de diálogo aberto com a esquerda, inclusive a partidária; o que queremos disputar com política e para quando?;



- Necessidade de respostas mais concretas aos anseios da sociedade, diferenciando da história/narrativa costumeira da esquerda de modo geral;



- Como resultado, de maneira geral, há uma ressaca eleitoral das pessoas que já estão no campo progressista e uma desilusão grande da população com a política e com os rumos do país;



- O momento atual é importante para a Raiz para a mesma começar a deixar mais clara sua posição, de uma nova maneira de fazer política, trazendo seus conceitos;



- Será fundamental para a Raiz começar a construção de seu programa, tanto visando a atuação política quanto as próximas eleições;



- Raiz tem que pensar em estabelecer estratégias claras para 2017, especialmente focadas em comunicação e conteúdo;



- As pessoas não se identificam como socialistas, não irão lutar por isso, precisam ter pautas claras e objetivas para se identificar;



- Precisamos trabalhar as convergências do nosso campo ao invés de focar nas divergências



- Focar nas coisas práticas, ações efetivas, tem sido o melhor jeito de atingir o povo.



 



Abaixo segue as considerações especificas de cada grupo:



GRUPO 1 – CIDADES DA CAPITAL E REGIÃO METROPOLITANA:



1) São Paulo:



            - Raiz participou da campanha Erundina e também apoiando a candidatura a vereador de Muna Zeyn e Profeta Verde



            - Campanha Eleitoral foi responsável por abalo na Raiz na cidade



            - Durante o período de campanha a Raiz se concentrou demais na própria campanha, não tendo espaço para outras atividades



            - Candidaturas da Raiz não foram candidaturas orgânicas, eram de pessoas que já tinham atuação com outras bases



            - O relacionamento com PSOL não foi o ideal, modelo de organização vertical diferia das expectativas da Raiz.



            - Durante a campanha o ponto positivo é que foram criadas as bases para se discutir políticas públicas



            - Sentiu-se falta também de conexão com as bases e os movimentos sociais, que também não ocorriam no PSOL de maneira geral



            - As eleições terminaram com uma derrota grande da esquerda na cidade, também com um elemento importante de negação da política.



- Precisamos conversar com o povo ao invés de falar para o povo



- Precisamos ter um combate efetivo na questão da comunicação: como conversar com o povo?



 



2) Cotia:



            - A Raiz também lançou e apoiou candidatos a vereador



            - Resultado das eleições também foram péssimos para o campo progressista e para a Raiz



            - Hoje existe uma resistência grande de se falar em política e em eleições de parte das pessoas que participaram da campanha



            - Cotia tem um cenário político bastante atípico, onde PT e PSDB estão juntos em uma mesma chapa por exemplo, logo o cenário de direita e esquerda não é fácil de entender e diagnosticar



 



3) Guarulhos:



            - O círculo da Raiz em Guarulhos ainda está em uma fase inicial, e na época das eleições a Raiz institucionalmente não apoiou candidatos, embora tenha havido um esforço dos membros para se apoiar candidatos do campo progressista.



            - Como no resto do Brasil houve uma derrota grande da esquerda.



- A Cidade veio de 4 gestões do PT, onde as 2 primeiras tiveram avanços claros em diversos setores, entretanto nas 2 últimas já estava mais claro um padrão de acomodação com mais falhas



- Os movimentos sociais foram aos poucos perdendo força, com os membros sendo incorporados dentro do aparelho estatal, sendo que esta fraqueza foi evidenciada nas eleições e na dificuldade de se ter apoio/militância para a campanha;



 



GRUPO 2 – CIDADES DO INTERIOR




  1. Campinas:



- O Círculo está funcionando a 1 ano, com periodicidade de 15 dias;



- Pessoas dos movimentos populares/ grêmios estudantis / movimento negro e cultural compõem o Círculo;



- Dos encontros tem resultado ações, como o mandato coletivo da candidata a vereadora apoiada pelo o Círculo – Mariana Comte/PSOL – eleita em 2016, que já solicitou a participação da Raiz em reuniões com a mesma, para que o projeto da Raiz sobre o movimento feminista com mais delegacias para mulher, seja contemplado;



- Junto com outros movimentos, está puxando a discussão na Câmara sobre a necessidade de horta comunitárias no município, além, de exigir que a instituição cumpra a lei no que diz respeito ao fornecimento as escolas dos insumos produzidos pelas hortas já existentes;



- Estão em diálogo com a associação de moradores de Campinas, para ajudar a restituição da reestruturação da rádio/ jornal comunitário, antes promovida pelo Xavier do PC do B, e desmantelada;



- Estão dividindo seus encontros em dois momentos, teórico (reflexão da Raiz) e práticos (encaminhamentos para ações);



- Os debates dos encontros estão se vinculando a colheita de assinaturas;



- Não apoio nenhum candidato a prefeito no município, somente as frentes de esquerda e frentes populares.



 




  1. Itapetininga:



- O Círculo fechou-se a figuras públicas políticas já existentes nas instituições públicas;



- Estão se reunindo semanalmente junto com os movimentos sociais, nos encontros dos próprio Círculo;



- Irão realizar ações de revitalização das praças públicas como também, implantar a horta comunitária nas praças escolhidas;



- Criaram um calendário mensal com Roda de Conversa Temática para 2017;



- Apoiaram o candidato a vereador do PCB – Fábio; porém sem vincular ao nome da Raiz;



- O PSOL local não se interessou em dialogar;



- A esquerda está desarticulada no município, surgindo desta fragmentação Os Canhotos, com um blog/revista virtual com o objetivo de aproximação com os movimentos sociais.



 




  1. Leme:



- O PSOL não abriu espaço para o diálogo, um grupo intelectualizado que compõe a direção do partido, criou barreiras para os movimentos periféricos com o qual a Raiz local está inserida;



- Estão articulando/desenvolvendo um grupo/movimento de politização nas periferias junto a movimentos de bases;



- Estão com dificuldade reunir os pré-filiados locais;



- Vincularem-se com a periferia através da formação política, humanizando os contatos por meio da criação de propostas de mudanças;



- Estão buscando dialogo com demais partidos, mesmo sem recepções;



- Estão articulando um movimento aberto a todos com a quebra de “caixas de poder, promovido pelo monopólio do conhecimento e informação.



 




  1. Jundiaí:



- Estão com pouca adesão aos Círculos, mais com alto acompanhamento virtual;



- Estão em diálogo com coletivos LGBTs locais;



- Apoiou o PSOL local que abriram espaço para dialogo e a formulação de propostas comuns;



 




  1. Araçoiaba da Serra:



- A cidadanista está sozinha na localidade.



 




  1. Baixada santista:



- Não apoio nenhum candidato;



-  Participaram do Fórum Cidadanista;



- Estão se articulando com os movimentos sindicais;



- Com o apoio de outros movimentos, retomaram o Fórum Social Itinerante;



- Estão com o apoio de outros setores da sociedade articulando o Cine Clube pautada no setor da saúde com a ajuda de uma médica sanitarista local.



 



Finalizando o período da manhã, foi realizado o informe sobre a colheita.



 



No período da tarde, três grupos foram criados para uma análise da Raiz:





GRUPO 1



O foco de atenção inicial do grupo foi a avaliação das eleições municipais e a participação da Raiz dentro desse processo eleitoral. O diagnóstico é de que não houve consenso e “participação do coletivo” na entrada da Raiz nas eleições e que depois da decisão “faltou clareza” sobre apoios e acordos durante o pleito, ocasionando grande desconforto entre os enraizados. Entretanto, muitos se empenharam nas diversas campanhas pelo país como militância ativa junto a outros partidos constituídos em acordos, participando da criação de políticas públicas para o governo, como foi o caso da Luiza Erundina em São Paulo, por exemplo. Entre as consequências diretas pós-eleições, foram destacados dois pontos: o lado negativo foi a “desidratação” de membros da Raiz e o grande desconforto com o modo operacional “vertical e pouco democrático” do PSOL e foi colocado como “grave” o caso de Fortaleza com associação da Raiz e o DEM; o lado positivo constatado foi o acúmulo de repertório na construção de debates entre os enraizados dentro do processo eleitoral, além de criação de forças com outros atores políticos. Após essa análise foi debatido o grave momento político que o país atravessa. Existe “profunda instabilidade institucional”, há “repressão nas ruas” e vive-se uma “crise grave de representação”. Isso gera “depressão “nas pessoas, mas o mesmo período pode ser uma oportunidade para se “falar de política para a população”. A partir disso, o grupo procurou causas dos problemas e possíveis caminhos para um realinhamento da Raiz. A Carta cidadanista foi citada como elemento importante nessa estratégia de “se voltar ao partido movimento” e a necessidade de uma “convergência” de cada cidadanista, não como adesão, mas como compromisso com a construção de um “partido em movimento” mais conectado com a sociedade e principalmente mais alinhado com uma nova forma de se fazer política, “contra o sistema” e dentro dos pilares do teko porã, ubuntu e ecossocialismo. Neste sentido foi colocado pelo grupo que é importante buscar “flexibilidade”, “consenso” e “liberdade” e que a Raiz precisa dialogar mais e se distanciar de análises que levem a “dicotomias” destrutivas. Outro ponto debatido com muita profundidade foi o tema da legalização e o processo de colheita. Foi colocado que a legalização é importante por ser uma “voz” dentro das instituições, mas foi consensual que o processo e o método aplicado estão canalizando muitas energias dos poucos recursos humanos que a Raiz conta atualmente. Há o entendimento que o número total de assinaturas requerido pelo TSE não será atingido e que, portanto, a melhor estratégia seria determinar como “prioridade” a busca de conexão da Raiz com os movimentos e que apenas desta forma a “convergência real para a cidadania” vai ocorrer, quando houver uma “conexão com as pessoas e não com os partidos” e o sistema corrompido atual. Sobre a questão interna dos círculos cidadanistas, os representantes das cidades presentes colocaram como sendo interessante uma melhor comunicação e articulação entre os próprios círculos com o objetivo de “fortalecer vínculos” e “potencializar ações”. Foram citadas as teias como possíveis facilitadoras desse processo. Ao mesmo tempo, foi colocado que “círculo bom é círculo pequeno”, ressaltando a importância dessa forma de organização dentro da região como um elemento mais “orgânico”. Ainda em relação aos processos de organização interna da Raiz foram feitas críticas contundentes sobre a maneira digital e as ferramentas utilizadas, diagnosticadas como “pouco acessíveis” para a maioria da população. O Loomio foi colocado como pouco usado e que o fruto de suas decisões eram “pouco representativas” e manifestam apenas uma “pequena parcela” dos enraizados, em torno de 20 pessoas que pertenceriam a “elite composta por homens, brancos e de classe média”. O grupo debateu o tema e citou o “consenso progressivo”, presente na carta cidadanista, o “próprio processo político” e o “mandato coletivo” como formas de deliberar decisões e nortear o grupo em torno de ações necessárias.



De maneira resumida e como forma de se formalizar pontos a serem analisados para o futuro da Raiz o grupo chegou a 4 temas de relevância fundamental, a saber:



• Necessidade urgente de vincular elos mais efetivos com as bases, os movimentos e as pessoas • Maior clareza e transparência da raiz no momento da comunicação de acordos com outros partidos • Entendimento de que os círculos cidadanistas são fundamentais e que, portanto, é essencial fortalece-los • Maior simbiose e interpelação entre a utilização de ferramentas digitais e eventos presenciais



GRUPO 2



1) Parece ser consenso na Raiz que não podemos repetir o que está colocado no cenário político do Brasil:



            - Não reproduzir os mesmos métodos



            - Não reproduzir os mesmos discursos (linguagem)



2) Não podemos ter lideranças que são maiores que o coletivo, lideranças que não podem / não aceitam ser criticadas;



3) Precisamos avançar na construção de uma árvore programática;



4) O PT em seu início, quando assumiu suas primeiras prefeituras, trouxe diversas inovações em termos de gestão democrática e popular, o que se perdeu com o tempo. A Raiz precisa inovar na forma de fazer política desta maneira;



5) Igrejas evangélicas, que vendem para as pessoas um estado de felicidade, precisam ser melhor compreendidas como atores políticos;



6) A política neste momento precisa ser pensada como um trabalho de longo prazo: há uma grande desilusão com a política e pensar que vai se recuperar isto de uma hora para outra não acontecerá;



7) Além disso a atuação nas ações menores, práticas, podem ser um bom método para iniciar este processo;



8) As pessoas hoje tem grande resistência com a política: se convidarmos as pessoas para discutir política o retorno provável é que pouco se interessariam, especialmente das classes mais baixas: como construir este caminho para se voltar a discutir política?



9) 2017 será um ano chave para a Raiz: ou se avança na construção da Raiz e de sua árvore programática ou não teremos futuro;



10) É preciso pensar em novas formas de fazer política: a ideia de mandato coletivo precisa ser melhor explorada pela Raiz;



11) Esquerda precisa voltar a suas origens em certos sentidos: comer e beber com o povo, não apenas focar em debates acadêmicos e/ou formais sobre política;



12) Ideia de se fazer um intercâmbio entre membros da Raiz de diferentes regiões do estado, para vivenciarem as diferentes realidades;



13) É importante se discutir a questão da Comunicação e Linguagem para se falar com o povo, embora só isso não seja suficiente;



14) Neste sentido, a Raiz hoje tem grande dificuldades de dialogar. A carta cidadanista e a comunicação da Raiz estão direcionadas para uma classe média / média-alta;



15) Quantas pessoas lêem, compreendem e se encantam pelas 70 páginas da Carta Cidadanista?



16) Hoje a mídia a comunicação se dá em pílulas, pequenas mensagens, vídeos, que tem mensagens claras, por vezes bem-humoradas;



17) Estamos em um momento do ápice do individualismo na sociedade: como reverter isso e trazer a ideia do coletivo novamente?



18) A Raiz também precisa rever/repensar seus meios de participação. A participação pela Teia Digital não é inclusiva pois poucas pessoas participam e exclui os que não tem acesso;



 



GRUPO 3



1) Falta de harmonia geral na Raiz atualmente. Precisamos de um ambiente mais unido/elaborado para discussão das questões internas;



2) Faltam também Metas e objetivos para a Raiz;



3) Alguns membros não querem discutir a Colheita de Assinaturas. A Colheita precisa funcionar como um motivador;



4) Sempre houve um grande embate na Raiz sobre a ideia da legalização. E em algum momento foi tomada com total legitimidade a escolha por seguir o caminho da legalização. No entanto durante o processo, antes de se começar a contar o prazo, foi posto em discussão a viabilidade e o momento de se legalizar, no entanto um pequeno grupo sempre rejeitou qualquer debate sobre o tema;



5) A dificuldade que temos hoje com a colheita são reflexo desta decisão apressada e resistência em discutir o tema;



6) Chegamos a ter 84 articuladores da colheita voluntários, mas pouco mais de 45 participaram em algum momento do planejamento e hoje ainda menos participam;



7) Situação da Erundina na Raiz também está desagradável e precisa ser tratada com mais transparência;



8) Discurso da urgência histórica sempre foi muito difundido para justificar decisões apressadas na Raiz;



9) Ainda nas eleições, a Raiz falhou também ao saber quem eram os candidatos apoiados pela Raiz por todo o país;



10) A Raiz hoje tem muitos problemas de estrutura/organização, se recusa a discutir isso em muitos momentos. Parecemos ser apenas uma vitrine, um grife;



11) Voltando a colheita, é preciso trabalhar com a realidade e a meta para o planejamento;



12) Discurso do “Tem que virar partido”, mas é preciso avaliar sob quais condições, com qual processo;



13) Colheita precisa ser feita com um debate qualificado, para trazer gente para a Raiz;



14) O conceito dos círculos da Raiz é inovador, não se assemelha a nenhuma instância partidária que existe no Brasil, mas será que estamos sabendo lidar com isso?



15) A Raiz não tem a substância/tamanho que muitos pensam que ela tem, é preciso fazer um diagnóstico sincero;



16) Discurso de “fazer colheita” tem ocultado o debate sobre o que é a Raiz, a que ela se propõe;



17) Há conversas sobre se contratar empresa de marketing, terceirização da colheita – faz sentido para a Raiz?



18) Reestruturação da Raiz em âmbito nacional está sendo discutida: tentativa de diminuir a concentração do poder e encontrar uma estrutura que funcione.



 



B) ONDE ACERTAMOS



1) Sendo a primeira campanha política com participação da Raiz, serviu como experiência para futuras oportunidades. Neste sentido tanto acertos como erros puderam ser observados e nas próximas oportunidades poderemos buscar fazer melhor;



2) O processo de Elaboração do Programa de Governo foi amplamente apontado como um dos pontos positivos da campanha. Elaborado de maneira coletiva com o PSOL, outros coletivos que compuseram a campanha e mesmo voluntários sem ligação com nenhum coletivo, os grupos divididos por temas elaboraram um trabalho coletivo que resultou em contribuições relevantes, bastante ricas em diversas áreas, que inclusive poderão servir como base para diversas outras atividades e programas a serem elaborados pela Raiz. A participação dos pré-filiados da Raiz neste processo foi bastante destacada e ampla;



 



C) ONDE ERRAMOS



1) Para alguns membros da Raiz o processo começou com um erro importante em seu início, pelo fato da candidatura não ter sido construída e aprovada internamente na Raiz e inicialmente deu-se no atropelo e à revelia da Raiz, mas na sequencia houve reuniões de referendo, com consentimento e engajamento dos enraizados;



2) O Programa de governo, apesar de construído de maneira coletiva e com um saldo positivo deste processo, acabou sendo parcialmente ignorado e/ou modificado na versão registrada no TSE. Tal fato gerou muita desconfiança e desmotivação por parte de quem havia trabalhado na construção do mesmo, especialmente entre membros da Raiz;



3)  Ainda na Parte de Programa, a Comunicação oficial da campanha preferiu não fazer uma campanha baseada em propostas do programa de governo, fato que também gerou bastante desconforto na Raiz;



4) Ao invés de apresentação e discussão de propostas, a linha de campanha se concentrou nas pautas federais, especialmente no Fora Temer, além de em diversos momentos ter se excedido nos ataques aos adversários, ambos equívocos na visão da maior parte dos membros da Raiz;



5) Houve também certa negligência à ideia inicial de se promover Assembleias Cidadãs e outros tipos de discussões programáticas que poderiam ter sido um forte componente de aglutinação de apoios;



6) A Verticalidade que existiu nas decisões da campanha complicou o processo e empobreceu a campanha. Neste sentido a Raiz acabou excluída de muitas definições importantes, e em muitos momentos não era nem possível saber de onde as decisões e definições vinham;



7) Faltou “militância” à Raiz. Em muitos momentos em que era necessária a presença dos membros para atividades da campanha como panfletagens e eventos eram poucos que se faziam presentes. Resta saber se esta é uma característica do coletivo que não mudará ou se isto pode e deve ser mudado;



8) Ainda sobre a atuação da Raiz, faltou canalizar esforços para atrair mais gente para a campanha, além de atuar em ações-chave como a Comunicação e a Captação de Recursos;



9) Por último, a falta de espaço que a Erundina concedeu a Raiz durante a campanha para avaliação da campanha e diálogo também pode ser reflexo da falta de espaço que as pessoas da Raiz deram a campanha, pois poucas trataram realmente como prioridade;



10) Faltou profissionalismo à campanha como um todo. Para combater as máquinas partidárias que estávamos enfrentando era necessária uma equipe mais profissional e experiente;



11) Os canais de comunicação entre a Raiz e a candidata não funcionaram. Durante toda a campanha surgiram demandas de conversa para discussão de problemas da campanha, porém não houve acesso;



12) A Raiz institucionalmente teve pouca exposição e divulgação na campanha. Nos canais oficiais, praticamente nenhuma;



13) O relacionamento com a legenda que abrigou a candidatura da Raiz poderia ter sido melhor. De um lado a Raiz sentiu falta da horizontalidade que é um princípio seu, por outro teve pouca capacidade agir politicamente para ampliar seu espaço na campanha. Tais percalços foram outro fator que desmotivou membros da Raiz durante o processo das eleições;



14) Ao final da campanha, a argumentação pelo voto útil no candidato Haddad gerou distúrbios internos na Raiz, tendo eco em muitos membros da mesma. Muitos consideram que tal postura tal postura causou um desconforto no momento e poderia ter enfraquecido nossa unidade, mas precisa ser interpretada como um efeito colateral dos problemas e frustrações dos membros com a campanha, além da realidade imposta por um ambiente eleitoral bastante regressivo;



15) Ainda na questão do voto útil, alguns membros sentiram falta do espaço na Raiz para se debater abertamente a questão, sem julgamentos morais e considerando a complicada conjuntura atual;



16) Na disputa pelo legislativo, a Raiz teve baixa participação na construção das campanhas. Foram apontados como fatos para este cenário a indefinição se estas campanhas eram de fato da Raiz ou apenas apoiadas pela mesma ou mesmo a falta de comprometimento dos membros;



 



DISCUSSÃO GERAL



- Discussão sobre a eficácia e representativa da Teia Digital da Raiz: poucos participantes, pouco representativo, boa parte dos círculos não estão presentes. Meio digital também exclui parte da população brasileira. Ideia de se discutir apenas alguns temas na Teia Digital e deixar grandes decisões para Teias Presenciais;



- Existe também a opinião que a Teia Digital não é perfeita, entretanto é transparente e aberta a participação de todos – precisam ser pensados métodos de aumentar a participação, não acabar com a mesma. Além disso as Teias Presenciais são ainda mais excludentes, pois há custos de deslocamento e pequena participação também;



- Foi feito recenseamento nacional onde os círculos que não responderam foram classificados como Inativos. Classificação gerou desconforto de círculos;



- Trabalho feito pela Esfera Estadual com ligações e visitas aos círculos estima em cerca de 56 pessoas as pessoas ativas da Raiz no Estado de São Paulo. Há discordâncias sobre este número que poderia ser maior;



 



 



PERÍODO DA TARDE – REESTRUTURAÇÃO ESFERA ESTADUAL



- A atual Esfera Estadual apresentou sua renúncia coletiva. Ao longo dos 6 meses desde eleita os 13 membros tiveram dificuldades de elaborar e colocar em prática um plano de trabalho;



- Nova proposta coloca a possibilidade de uma Esfera mais enxuta, com apenas 2 coordenações: Executiva e Comunicação;



- O “mandato” seria de 6 meses, até a próxima Teia, sendo este prazo mais curto para se possibilitar um compromisso dos membros por um prazo menor, prevendo ações práticas para este período;



- Durante a discussão foi proposta que não fossem coordenações, e sim comissões com 2 membros no mínimo cada que seriam indicados na própria teia;



- Durante a discussão foi proposta a inserção de mais uma comissão, de Articulação e Mobilização;



- Foi apresentada uma proposta alternativa, de uma estrutura que fosse feita por projetos/demandas específicos, sem as comissões por área que não tem funcionado na Raiz. Os grupos seriam formados por prazos determinados com objetivos claros;



- Após intenso debate a proposta alternativa não teve concordância da maioria, apontando como motivos o risco da Raiz ter ainda mais fluidez/falta de compromisso dos membros, sem planejamento e execução de atividades importantes;



- ENCAMINHAMENTO: foi aprovada, por consenso, a proposta de uma Nova Esfera Estadual formada por 3 comissões:



Comissão Executiva;



Comissão de Comunicação;



Comissão de Articulação e Mobilização;



- Em seguida, tiveram os seguintes voluntários para compor as comissões, referendados pelo coletivo:



Comissão Executiva: Silvio Cabral e Lúcio Barth;



Comissão de Comunicação: Viviane de Lima e Ivan Zumalde;



Comissão de Articulação e Mobilização: Victor Amadeu e Renato Ribeiro;



 



PERÍODO DA TARDE – PRÓXIMA TEIA PRESENCIAL



- Definido o mês de Maio de 2017 como ideal para realização da próxima Teia;



- Foi feita a defesa de São Paulo Capital como sede da próxima Teia, pela centralidade, facilidade de acesso das cidades do interior e também pela estrutura para o Evento, possibilitando também um evento com duração maior que 1 dia apenas;



- Ficou definido que será dado um prazo para as cidades se candidatarem e após isso um prazo para definição por consenso da próxima sede;



 


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