A RAIZ NÃO ME REPRESENTA

  • 29 de Abril de 2016

Por Walter Tabacniks*

Um dos três pilares filosóficos nos quais a RAiZ se sustenta chama-se “ubuntu”. Na tradição de diversos povos africanos, ubuntu é resumidamente definido como: “eu sou porque você é, você é porque nós somos.”

Se este fundamento é tão importante para a RAiZ, como é que uma pessoa enraizada ou jardineira ou mesmo uma pessoa que queira colaborar conosco poderia se sentir representada pela RAiZ?

A imagem da representação é uma falsa percepção de participação. No novo paradigma de relações institucionais a "representação se torna uma exclusão de uma pessoa com a sensação virtual de sentir-se incluída". Portanto, não há espaço para representações. Há espaço para o SER e o ESTAR. Há espaço para a PARTICIPAÇÃO DE FATO.

Podemos” na Espanha, “Syriza” na Grécia, são dois exemplos de partidos com esta filosofia. Novos bancos familiares ou populares (não confundir com Banco Popular no Brasil) também contam com participação direta das pessoas envolvidas.

Coworking é uma realidade internacional que segue o mesmo padrão da potencialização da comunicação interna entre aquelas pessoas que participam destas organizações.

Todas estas novas formas de organização social na busca de resultados compartilhados só é possível como um novo avanço das relações que a Internet nos oferece.

As primeiras relações econômicas eram centralizadas. Um chefe enviava uma ordem para um certo número de empregados e estes executavam a tarefa. Uma maneira fácil e rápida de comunicação deficiente e resultados instantâneos.

O telefone e outras formas de comunicação mais elaboradas permitiram a descentralização do comando, fazendo com que surgissem sub-chefias que repassavam ordens e conversavam com chefias. Algo que a hierarquia militar exerce historicamente.

Já o mundo virtual permite a pulverização ou a distribuição de pontos de informação, onde cada ator neste processo é tanto um receptor como um emissor da informação, gerando um fluxo de dados exponencialmente bem mais rico, porém bem mais trabalhoso de organizar em sociedades que ainda não estão acostumadas a este novo perfil de relacionamento.

Todas as possibilidades da comunicação distribuída são muito maiores que o exemplo de imagem mostrada abaixo à direita, pois todos os pontos se unem e não apenas os próximos. Significa que há linhas que cruzam ponta a ponta, e se temos 10 atores, teremos 9+8+7+6+5+4+3+2+1 linhas que podem unir todas estas pessoas, num total de 45 possibilidades.comunicação centralizada, descentralizada e distribuída

A maior razão de grupos conservadores fugirem de qualquer relação de informação distribuída é que sempre haverá divergência de opiniões e para chegar-se a um consenso progressivo, há necessidade de um novo paradigma de posicionamento em discussões. Exercer este novo método de participação é assunto para um novo texto, que será analisado num próximo artigo.

Vale à pena conhecer como funciona o sistema de participação na RAiZ, justamente por sua horizontalidade. Mesmo o conceito histórico de anarquia como a negação do poder tem espaço na teia da RAiZ, justamente por não haver chefia ou cargo de comando. Todas as pessoas envolvidas são, todas sugerem atitudes e trabalham para viabilizar demandas deliberadas.

Se você se sente cansada/o de representar, está na hora de SER. Conheça a RAiZ.

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*Walter Tabacniks é jardineiro da RAiZ - Movimento Cidadanista e integrante do GT de Polinização do partido-movimento


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Comentários

Fabio Bueno Tanaka

29 de Abril de 2016

Democracia Direta Já ! Sistema de democracia direta em código aberto ! http://about.konsento.org

Leandro Altheman

30 de Abril de 2016

Muito bom. Esclareceu muita coisa. Acredito que o Raiz pode ter uma importância além da questão partidária na construção de um novo paradigma

Fidelis Paixao

14 de Maio de 2016

Muito bom texto, Walter. Me representou rsrs De fato a grande revolução é trazer as pessoas anônimas para o protagonismo.

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