Quem são nossos “verdadeiros inimigos”? Como nos manifestarmos?

  • 06 de Setembro de 2016

Na democracia neoliberal temos dificuldade de encontrar os verdadeiros “inimigos” de uma sociedade pautada na civilidade e na justiça. Na arena de luta, atores de um programa muito mais complexo se digladiam: “coxinhas” e “petralhas” se insultam; professores e alunos se desrespeitam; policiais e manifestantes se enfrentam; torcidas de futebol se agridem; defensores da direita e da esquerda se ofendem, etc. 

Quando alguém xinga um policial, acredita que todo o mal está personificado naquela figura, que se torna representante da repressão, da injustiça e violência do Estado. Em meio à multidão, xingar essa “autoridade” se torna um ato heroico, de coragem, e também uma forma indireta de mandar uma mensagem aqueles que não estão ali para escutar o apelo popular. Freud já nos alertava quanto às satisfações das pulsões agressivas, e o quão difícil é para civilização abrir mão delas. Quando um policial atira balas de borracha, bombas e gás com intensão de machucar os manifestantes, não somente cumpre uma ordem, mas satisfaz suas pulsões agressivas e vingativas, tão estimuladas nos treinamentos militares. Na verdade, policiais e manifestantes são simples atores de um programa, cujos programadores não estão no campo de batalha, estão sim, sentados em gabinetes e escritórios, protegidos, atuando em redes de comunicação e de influências, por meio das quais manipulam as massas.

Há um tipo de saber que os gregos denominaram “métis”, em alta na era da neocolonização digital e que é extremamente útil aos comandantes desses campos de batalha. Segundo os filósofos franceses Marcel Detienne e Jean- Pierre Vernant, o “savoir métis” baseia-se na trapaça, no jogo de dissimulação, sua estratégia de combate está justamente na capacidade de se esconder, de não se deixar ver, e ao mesmo tempo de estar em uma posição privilegiada de onde se pode ver tudo, de onde se pode espionar. Portanto, quem está no domínio da situação sabe como intensificar estereótipos e atiçar fogo nos soldadinhos combatentes.  

Por isso, cada vez mais é importante entendermos a complexidade do que se passa no campo político-econômico mundial e nacional. É preciso identificar quem são os verdadeiros “inimigos” para conseguirmos desarmá-los. Isso exige união, muito debate, e acima de tudo definição de estratégias.


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