O que há por trás da reorganização das escolas em SP?

  • 16 de Dezembro de 2015

Artigo de Ediel Rangel

Depois que um certo membro (e notório) do Instituto Liberalismo sofreu uma derrota para a ideologia da meritocracia que tanto defendia. Resolvi pesquisar um pouco mais sobre tal instinto e rapidamente encontrei o seu website.

O interessante é que neste dia, a notícia principal do site, (ou em evidencia em sua página principal) era: Uma solução liberal para o problema da educação no Brasil¹. Ora, esse título chama mesmo a atenção. Li todo o texto e fiquei chocado.

Por muito relutei em escrever algum contraponto a tal “solução”, mas os acontecimentos no Estado de São Paulo não me deixa dúvidas de que tal fato é necessário.

O que mais me chocou no texto do Instituto Liberal foi:

“A melhor saída para a educação no Brasil está na privatização (…). Qual a vantagem que eu, contribuinte, tenho em subsidiar a educação superior de uma pessoa que eu não conheço e que não vai me dar nada em troca? Qual o sentido disso?”.

Ora, me pergunto: Qual mundo queremos deixar para os nossos filhos e filhas?

Um mundo marcado pelo individualismo? Noberto Bobbio já deixa bem claro em seu livro “Liberalismo e democracia” que sem individualismo não há liberalismo².

É esse mundo individualista que quero deixar para os meus filhos? Jamais! Repudio essa ideia. O mundo somos todos nós.

Para esses neoliberais é mais fácil pensar me mim como uma célula individual que não precisa de nenhuma outra, do que em um organismo, do que uma célula que faz parte de algo de algo muito maior.

Por que então não procurar melhorar o ensino para todos do que para somente aqueles que podem pagar? Os problemas sociais decorrentes a uma má gestão da educação será de responsabilidade minha ou do Estado? Ora, se a questão é o individualismo neoliberal, o problema é meu também.

Mas é mais fácil lavar as mãos feito Pilatos e jogar a culpa no Estado.

O que ocorre em São Paulo é um “reajuste” logístico educacional ou apenas uma forma de atender os interesses do capital?

Ora, o que acontecerá com os prédios das escolas que não terão mais serventia para o Estado? Serão depreciadas pelo tempo ou estarão a disposição do capital privado?

Se eu fosse pai de um dos estudantes que ocuparam as escolas, estaria em êxtase, transbordante de orgulho desses garotos e garotas.

Sabiamente é dito que que o desenvolvimento de um país se dá pela educação, até o Instinto Liberal crê nisto, mas não faz sentido então um Estado que fecha escolas. Mas o capitalismo não é para fazer sentido, o capitalismo é para fazer dinheiro, e dinheiro para uma faixa exclusivíssima de pessoas. Não devemos assustar quando as escolas que são “inviáveis” para o governo paulista se tornarem faculdades particulares ou até escolas de ensino fundamental e médio privadas. A lógica é essa! Ou o Estado de São Paulo deixará prédios e terrenos ociosos a mercê do tempo?

O que os estudantes paulistas nos deram foi uma aula de cidadania e política social na luta por seus direitos, já o governo no papel do Governador nos mostra como não ouvir e dialogar com as classes sociais.

 

¹ http://www.institutoliberal.org.br/blog/uma-solucao-liberal-para-o-problema-da-educacao-no-brasil/

² Bobbio, Noberto, Liberalismo e Democracia. Tradução de Marco Aurélio Nogueira. – São Paulo : Brasileiense, 2000. (Página 16)

Imagem: Ninja Mídia (creativecommons - https://www.flickr.com/photos/midianinja/23497384275)


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