"O que a América Latina precisa é de uma esquerda ecossocialista"

  • 01 de Junho de 2016

Por Thomas Mitschein*

“O que a América Latina precisa, é uma esquerda ecossocialista que identifica o futuro do subcontinente com a valorização de sua (ainda) extraordinária sócio- e biodiversidade”

Introdução

A América Latina, nos anos 70 do século passado ainda uma espécie de “laboratório da Escola de Chicago” (Klein 2008, p.), acabou surpreendendo o mundo no tempo da virada para o século XXI com a eleição de Presidentes como Hugo Chaves na Venezuela, Luís Inácio Lula da Silva no Brasil, Nestor Kirchner na Argentina, Evo Morales na Bolívia ou Rafael Correia no Equador que se posicionavam contra as crendices do fundamentalismo de mercado. Entretanto, por mais que os seus governos tenham implementado em seus respectivos países relevantes programas de poverty alleviation, a drástica queda dos preços dos commodities trouxe a tona a insustentabilidade social e ambiental de regimes político-econômicos que apostaram as suas fichas em estratégias neodesenvolvimentistas meramente miméticas, ancoradas primordialmente na consolidação da comercialização de produtos naturais com baixos níveis de agregação de valor e na integração de crescentes setores das classes populares nos mercados de consumo para produtos duráveis. Considerando que o esgotamento deste ciclo político fez voltar especialmente para as classes populares os pesadelos da “longa noite neoliberal” (R. Correa), discutiremos no âmbito deste artigo o chavismo na Venezuela e o lulismo rooseveltiano (A. Singer) no Brasil bem como o imperativo das forças de esquerda se reinventarem no sentido de incluir de forma sistemática e didaticamente clara em sua narrativa sobre a relação entre economia e política o campo da ecologia, se abrindo, desta maneira, para o debate sobre a definição e a implementação de políticas ecossocialistas1 que da mesma forma em que não abrem mão da necessidade imperiosa de enfrentar com vigor o fato de que o vigente sistema global de dominação nega a uma enorme parcela da população mundial condições minimamente civilizatórias em áreas tão essências como saúde, saneamento, educação, moradia ou segurança alimentar insistem na reversão da destruição das bases naturais da própria vida humana que castiga primordialmente as classes populares do hemisfério Sul. Enfim, políticas que se opõem à uma ideologia ambientalista que defende a conciliação da redução do assim chamado uso excessivo do capital natural com a otimização da acumulação capitalista, apresentando-se, nestes termos, como uma das filhas mais recentes do espírito utilitarista do protestantismo (Klaus Eder) que procura exorcismar o diabo com o próprio Belzebu. De qualquer maneira, no âmbito da América Latina trata-se de uma empreitada que precisa dar uma atenção especial à uma Bacia Amazônica que cobre quase a metade do território sul-americano e, dotada por uma enorme disponibilidade de energia solar e de recursos hídricos pluviais e fluviais, está predestinada para criar as bases de uma “civilização original dos trópicos” (Sachs, 2006, p.444).

1. O chavismo numa Venezuela que é dona da maior reserva de petróleo do mundo

Iniciada em 1875 ainda com bombas manuais, a exploração do petróleo na Venezuela ganhou escala nos anos 20 do século passado, se tornando a partir daí o motor principal de sua economia:

- Durante a Segunda Guerra, o país, por sua vez dono da maior reserva de petróleo cru do mundo, atendeu aproximadamente 60% da demanda de combustível dos aliados,

- em 1960, diante do fato de que no pós-guerra os fluxos monetários dos negócios petrolíferos foram controlados primordialmente pelos Estados Unidos, acabou criando com o Irã, o Iraque, Kuwait e a Arábia Saudita a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) com o intuito de aumentar o poder de barganha dos seus respectivos membros na definição do preço final do seu produto e

- em 1976, três anos depois da guerra Yom Kippur que levou os estados árabes da OPEP deslancharem um boicote de fornecimento aos Estados Unidos e à Comunidade Europeia em sua condição de aliados de Israel no âmbito do conflito no Oriente Médio, proporcionando, assim, um sensível aumento do preço do barril de petróleo, o governo venezuelano resolveu nacionalizar a extração do principal combustível do século XX através da criação da PDVSA. Justificava esta medida como insumo indispensável para viabilizar uma “segunda independência nacional”, ancorada no financiamento de uma definitiva industrialização retardatária da sociedade venezuelana. No entanto, este discurso desenvolvimentista, por sua vez elemento integral de todos os planos quinquenais que o Governo tinha elaborado desde 1960, não rimava com a realidade sócio-econômica de um país, no qual uma pequena elite americanizada com acesso privilegiado a renda alcançada pelo ouro negro estava rodeado por uma maioria populacional socialmente marginalizada que sobrevivia precariamente no crescente planeta favela (Mike Davis) das grandes cidades. E esta ferida aberta começou a sangrar dramaticamente em fevereiro de 1989 durante o assim chamado caracazo na capital do país. Neste contexto, cabe lembrar que, em dezembro do ano anterior, Carlos Andrés Perez da Acción Democrática (AD) tinha ganho as eleições presidenciais numa Venezuela que, como a América Latina toda, estava sofrendo os impactos nocivos da década perdida do subcontinente. Durante a sua primeira Presidência nos anos 70, responsável pela estatização do setor petrolífero e usando na campanha para o pleito de 1988 uma abordagem crítica em relação à dívida externa que estava esmagando as sociedades do subcontinente, Perez e a sua vitória levantaram entre diversos observadores internacionais a ideia de que o político venezuelano pudesse tentar liderar a formação de uma frente latino-americana que se opusesse às receitas de ajuste que o FMI o Banco Mundial e o establishment do capitalismo ocidental estavam impondo aos devedores do Sul. Entretanto, pouco tempo depois de sua posse que reuniu 24 Chefes de Estado, ex-presidentes como Jimmy Carter dos Estado Unidos e Julius Nyerere da Tanzânia, Perez demonstrou que não estava à altura desta suspeita honrosa. Diante do irrisório colchão de reservas em moeda estrangeira que o seu antecessor tinha lhe deixado como herança, ele informou reservadamente o FMI que estava disposto de aceitar a aplicação de um ajuste econômico, envolvendo drásticos aumentos dos preços para alimentos básicos (pão, leite, macarrão), a gasolina e consequentemente para as passagens de ônibus. Desta maneira, suscitou a eclosão de uma revolta popular que começava nos bairros periféricos de Caracas e foi violentamente reprimida pelas forças de segurança do Estado (polícia e exercito) – se fala em 3000 mortos – e deu início à um cenário político e econômico altamente turbulento. Nele se juntaram duas tentativas de golpe em 1992, o impeachment do próprio Perez em 1993 e o desmoronamento do sistema bancário em 1994. Fazia parte deste mesmo cenário o fato do novo Presidente Rafael Caldeira ter anistiado em março do mesmo ano o tenente coronel Hugo Chávez, preso pela sua iniciativa de tentar derrubar através de um golpe militar o governo de Andrés Perez que, nas palavras do próprio Chaves, representava “uma ditadura vestida com trajes democráticos, uma ditadura responsável por levar um povo que mora sobre um mar de petróleo, com enormes rios navegáveis e milhões de acres de terra arável, para um estado abjeto de pobreza e infindável corrupção política e moral.” (cit. in Jones 2008, p.143). Contudo, se dentro das forças armadas da Venezuela Chávez têm sido por uma década inteira o master mind de jovens oficias que, inspirados pelas tradições igualitárias das lutas sociais na América Latina, pretendiam transformar os setores militares em aliados confiáveis da população de baixa renda, depois de sua despedida do exercito resolveu de encarar a luta contra o apartheid social em Venezuela através da disputa pelo voto. E em 1998, ganhou com folgada maioria a eleição para Presidente, superando a maciça oposição de uma elite nacional que abocanhava a metade de toda a riqueza oficialmente contabilizada do país.

Logo depois de sua posse, Chávez acabou tomando a iniciativa de revitalizar a OPEP, insistindo na retomada da prática de cada país fornecedor adequar a sua produção às cotas estabelecidas pelo Cartel, dando, assim, a sua contribuição, para que em 2003 o preço por barril passou de $US 10 para $US 30; conditio sine qua non para uma política que estava determinada para matar dois coelhos com uma cajadada só: visava combater com vigor as condições da miséria social no próprio país e procurava fortalecer dentro da América Latina uma frente de oposição à tentativa dos Estados Unidos de integrar o seu tradicional backyard numa Área de Livre Comercio das Américas (ALCA) que, diante das assimetrias sócio-econômicas entre o Norte e o Sul do continente, o transformaria definitivamente num simples e ordinário apêndice econômico do primeiro. Não pode haver dúvida de que, em ambos os campos de batalha o chavismo, alcançou vitórias notáveis. Com os seus programas sociais diminuiu, conforme a Cepal, a parcela da população venezuelana que vivia abaixo da linha da pobreza de 49% para 28%. E em novembro de 2005 em Mar del Plata, durante a Cúpula das Américas, com o apoio de Nestor Kirchner da Argentina, de Lula do Brasil e de Tabaré Vasquez do Uruguay, logrou em enterrar a proposta do governo norteamericano, contra a qual já tinha se posicionado através de da criação da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA) em dezembro de 2004 e da Petrocaribe, lançada em julho de 2005 como uma entidade que ofereceu aos seus associados petróleo venezuelano em condições preferencias. De qualquer maneira, tais iniciativas incentivaram na América Latina o debate sobre a necessidade de conceber uma política internacional mais autônoma em relação ao hemisfério Norte, tendo contribuído, inclusive, para a formação da União de Nações SulAmericanas (UNASUL) que objetiva o fortalecimento das relações comerciais, políticas, comerciais, culturais e sociais entre as doze nações sul-americanas e cuja criação foi formalizada em maio de 2008 em Brasília.

Por outro lado, no que diz respeito às tentativas do governo chavista de diminuir a dependência secular do país do “excremento do diabo” (expressão de Pablo Perez Alfonso, ministro venezuelano na época da criação da OPEP), elas não surtiram efeito2.

Na realidade, é preciso reconhecer que os inegáveis avanços sócias proporcionados pela revolução bolivariana, se deram pela inclusão da população de baixa renda na distribuição da renda petrolífera e não a partir do encaminhamento da indispensável reestruturação da base econômica do país. Entretanto, este modelo de democratização do rentismo na sociedade venezuelana se esgotou com um preço de petróleo que baixou de 140 $US por barril 2008 para menos de 30 $US nos dias de hoje:

“Se nos não queremos voltar para o pesadelo neoliberal, do qual acordamos em 1998 – escreve Elias Jaua, primeiro Vice-Presidente da Revolução Bolivariana e Ministro do Governo Nicolás Maduro (cit. in Zelik 2014, tradução T.M.), precisamos corrigir o nosso curso, mas não somente o do Governo Bolivariano e sim o da sociedade toda.”

Mas será que bolivarianismo, ainda, tem a energia, a visão e a determinação para enfrentar de frente a dramática crise social e econômica que a Venezuela enfrenta atualmente3, viabilizando de fato uma política que visa superar a secular e crónica doença holandesa do país. A sua derrota eleitoral em 2015 indica que crescentes setores da população estão duvidando desta possibilidade. Perguntado em dezembro do ano passado sobre o legado chavista para o futuro da Venezuela, o sociólogo Edgar Lander (2015, tradução T.M) respondeu nos seguintes termos:

A dinâmica organizacional dos primeiros anos do chavismo suscitou uma enorme elevação da consciência social, a reconquista da dignidade por parte dos homens de baixa renda, a criação de redes socais, um alto grau de ativismo e um associativismo solidário. E isto num país que tinha nenhuma tradição de auto-organização. Esta experiência vive e fica.

Contudo, como acrescentou o intelectual venezuelano cautelosamente: “O efeito corrosivo do desenvolvimento atual não deve ser subestimado”.

2. O lulismo rooseveltiano (A. Singer) numa república brasileira, onde o andar de cima insiste na manutenção da relação secular entre Casa Grande e Senzala

“Periodicamente y em las formas más inesperadas – escreve Ugo Pipitone (1996, p. 356) em seu estudo histórico comparativo sobre “La salida del atraso” - resurge (no Brasil) algo que podríamos definir genéricamente de voluntad de desarrollo. Para mencionar sólo los casos más recientes, vale la pena destacar que los militares brasileños, al contrário de los militares argentinos o chilenos (...), se sentieron comprometidos com el crescimento econômico del país e muy poco com las ideologias liberales de mercado o la apertura externa. Por otro lado, mientras em el curso de los anos ochenta la gran maioría de los gobiernos latinoamercanos se encontraban experimentando políticas rigidamente contracionistas para combatir la inflación outra vez Brasil rompe com la norma com sus intentos heterodoxos de controlar a la inflación sin renunciar al crescimento. (...) El Estado brasileño (más allá de los gobiernos específicos) há mostrado em las últimas décadas um acentuado protagonismo em la promoción de grandes proyectos pero há mostrado, al mismo tempo, uma assombrosa timidez en hacer frente a los grandes terratenientes del sertão o a los políticos locales de várias partes del país. A comienzos de los años sessenta,la superintendencia para el Nordeste (bajo la dirección de Celso Furtado) para modificar el régimen de la tenencia de la tierra e abrir obras de desarrollo agrícola em favor de las grandes massas campesinas de esta parte del país, terminó por convertirse em uma grande e inútil maquinaria burocrática sin poder transformador real, quando se enfrentó a la oposición de los poderosos intereses locales. El Estado preferió dar marcha atrás, algo parecido a lo que sucedió con el Plan Nacional de la Reforma Agraria entre 1085 e 1987.

He ahí uma mezcla interessante: Estado fuerte em los grandes proyectos, Estado débil em los pequenos proyectos que suponem um cambio em el comportamento de los sujeitos económicos. Estado fuerte donde se trata de añadir al potencial productivo del país. Estado débil donde se trata de modificar los esquemas del funcionamento tradicional de las estruturas productivas estabelecidas”.

Não pode haver dúvida de que a superação desta mezcla, destacada pelo economista mexicano, depende da constituição de movimentos sociais que aceitam o desafio de enfrentar os problemas acumulados do passado (concentração fundiária, uma abismal vulnerabilidade social da população de baixa renda, uma polarização dramática entre as e dentro das regiões do espaço nacional, um sistema de tributação que favorece as classes abastadas etc.) com a viabilização de propostas políticas que procuram aproveitar o potencial endógeno de desenvolvimento das diversas regiões do país em benefício de todos os setores da sociedade. E, como cabe acrescentar, um movimento desta natureza começou a ganhar forma na segunda parte dos anos 70 do século passado em São Paulo, onde as lutas dos operários das empresas multinacionais no cinturão tecnologicamente mais avançado da cidade levou ao surgimento de um novo sindicalismo que, além de desafiar as estruturas do peleguismo que tinham sido criadas durante o Estado Novo, acabou levando em fevereiro de 1980 com o Partido dos Trabalhadores à criação de uma nova entidade política de esquerda, defendendo um reformismo clássico no sentido de insistir na superação da lógica reprodutiva do regime capitalista e colhendo, dentro de pouco tempo, resultados altamente promissores no âmbito do sistema político brasileiro:

- Em 1982, na primeira eleição disputada, elegeu oito deputados federais;

- em 1985, ganhou em Fortaleza a primeira eleição majoritária municipal na capital de um Estado regional;

- em 1986, dobrou o número dos seus deputados federais;

- em 1988, fez de Luísa Erundina a primeira Prefeita do Município mais populoso do país;

- em 1989, disputou a primeira eleição presidencial;

- em 2000, elegeu pela segunda vez com Marta Suplicy uma mulher para a Prefeitura de São Paulo e

- em janeiro de 2002, logrou eleger com Lula Inácio da Silva o primeiro Presidente de origem operária que governou o país por oito anos, tendo emplacado em 2014 com Dilma Rousseff a sua sucessora.

No que diz respeito à avaliação do ciclo lulista de governo, ele tem sido comparado por André Singer (2010, 2012, 2014) com a política de Franklin Roosevelt que acabou proporcionando à maior parte dos assalariados nos Estados Unidos na época pós-guerra condições de sobrevivência razoavelmente decentes. Neste contexto, defende a hipótese de que a estratégia do lulismo “poderia, ao final de algumas décadas, resultar na integração de parte significativa do subproletariado brasileiro ao estágio minimamente civilizatório que faixas intermediárias tinham alcançado” (2014, p. 31), substancializando esta argumentação com os seguintes dados:

“Em 2010, o Brasil crescia a 7,5%, o desemprego que era de 10,5% em 2002, caíra para 5,3% e o salário mínimo 54% mais do que no final da era Fernando Henrique Cardoso. Com o emprego em alta, os trabalhadores de carteira assinada obtinham ganho reais em quase todos os dissídios coletivos. Viagens de avião, de tratamento dentário, automóvel e diploma universitário se tornavam acessíveis a camadas populares. A casa própria, ainda que de qualidade e localização duvidosas, colocava-se ao alcance da baixíssima renda. O ex-operário deixava a Presidência com 80% de aprovação e era aclamado como o “cara” por ninguém menos que Barack Obama, herdeiro tardio do rooseveltismo democrata americano.”

A primeira vista, os avanços sociais alcançados nos dois governos de Lula acabaram sendo consolidadas pela sua sucessora por medidas como a ampliação do Bolsa Família ou pelo lançamento de programas como Prouni e Minha Casa, Minha vida, fazendo com que, no dizer de Singer (ibid.), a sociedade tenha continuado “a se mexer na direção rooseveltiana e todos, contra ou a favor, o sentiam”.

Além disso, cabe lembrar que, em 2011, Dilma Rousseff resolveu dar início a um programa nitidamente desenvolvimentista que visava a implantação de uma “nova matriz econômica”, envolvendo um amplo elenco de ações governamentais como a redução da taxa básica de juros, liberação de dinheiro subsidiado para o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para manter e aumentar a formação bruta de capital fixo no Brasil, desvalorização da moeda nacional, desoneração das folhas de pagamento de 14 setores empresariais, entre eles a construção civil, uma reforma do setor elétrico etc.

Contudo, é preciso levar em conta que esta iniciativa foi realizada num momento em que o agravamento da crise financeira internacional gerou tudo menos condições promissoras para enfrentar a herança de uma política econômica que, ao ter combinado nos anos 90 do século passado persistentemente juros altos com câmbio apreciado, acabou empurrando o Brasil para “a posição de país produtor de bens primários de baixo valor agregado” (Paulani 2012, p.5), incentivando, assim, a integração ativa da economia nacional num capitalismo global financeirizado.

Diante destas condicionantes, é pouco surpreendente que os stakeholders do setor financeiro no Brasil que se acostumaram de se apropriar sob forma de juros e amortizações em torno de 40% do Orçamento Geral da União, (Fatorelli 2011, 2015), não acompanharam com bons olhos a decisão do governo de reduzir a taxa básica de juros de 12,5% para 7,25% ao ano entre agosto de 2011 e abril de 2013 e, ainda, deslanchar uma contenda sobre o spread bancário, a taxa adicional de risco, cobrada pelos agentes do mercado financeiro, adotando, nestes termos, uma postura que deixou de lado o conselho do economista Delfim Netto (2011, p. 52), segundo o qual “o mercado de capitais do Brasil está em altíssima qualidade e temos de coopta-lo, não brigar com ele”. Mas diante do fato de que a mencionada iniciativa desenvolvimentista do governo criou previsíveis rixas com os grãos vizires da alta finança que, pela sua íntima ligação com os meios de comunicação do país têm uma enorme facilidade para transmitir o seu ponto de vista em desavenças e confrontos políticos (Khair 2015), poderia se pensar que os seus condutores adotassem uma estratégia de mobilização das organizações daqueles setores da sociedade (centrais sindicais, movimentos sociais, ligados às populações socialmente marginalizadas no campo e na cidade), para os quais a “nova matriz econômica” deveria abrir um novo horizonte de esperança do ponto de vista das perspectivas de sua sobrevivência. No entanto, já que isto não aconteceu - “a classe trabalhadora – escreve André Singer (ibid.p. 33) não foi sequer avisada o que estava em curso”, vale fazer uma rápida referência à recente abordagem de Frei Betto (2014) sobre Impasses dos governos progressistas na América Latina.

“Como os governos democráticos populares tratam os segmentos da população beneficiadas pelas políticas sociais? É inegável que o nível de exclusão e miséria causado pelo neoliberalismo exige medidas urgentes que não fujam ao mero assistencialismo, porém restringe-se ao acesso a benefícios (bônus financeiro, escola, atendimento médico, crédito facilitado, desoneração de produtos básicos etc.) sem que haja complementação com processos pedagógicos de formação e organização políticas. Criam-se, assim, redutos eleitorais, sem adesão a um projeto alternativo ao capitalismo. Dão-se benefícios sem suscitar esperança. Promove-se o acesso ao consumo sem propiciar o surgimento de novos protagonistas sociais e políticos.”

Por outro lado, é pertinente lembrar que, em seus primeiros anos de governo, os responsáveis pelas determinações da política econômica do lulismo seguiram rigidamente o Decreto n. 3.088 do Banco Central, criado em junho de 1999 sob orientação do FMI como diretriz para a fixação da política monetária. Um decreto que, no mesmo ano, foi acompanhado pela introdução da taxa Selic como suposto instrumento de controle da inflação. Mas esta taxa de juros, em vez de barrar ou reverter a alta dos preços dos serviços e dos bens alimentícios de origem nacional, pelo fato de incidir sobre a dívida pública, tem levado o estoque desta última à alturas astronômicas. Criou-se, desta maneira, uma situação em que o Governo Federal destinou nos últimos anos entre 44% e 45% do Orçamento Geral da União ao pagamento de juros, amortizações e refinanciamentos de uma dívida, da qual 62% estão na mão de bancos nacionais, estrangeiros e investidores internacionais, mas reservou a setores essenciais para o futuro do Brasil como educação, saúde, saneamento, gestão ambiental ou ciência e tecnologia menos do que 10%. Certamente, pode-se alegar que a notória falta de determinação dos protagonistas do lulismo no campo da realização de uma auditoria cidadã da dívida pública como ponto de partida para a redefinição das condições do seu pagamento é pouco surpreendente no âmbito de um sistema econômico global que, mesmo depois da quebra do Banco Leman Brothers nos Estados Unidos, continua sujeito aos humores de mercados financeiros que, pelo seu próprio tamanho e pelo baixo nível de sua regulação, conseguem determinar os rumos da política dos estados nacionais. No entanto, aqueles que querem superar a abismal desigualdade social no Brasil, mas evitam de viabilizar passos bem concebidos para frear a mencionada sangria de recursos públicos ao setor privado, começaram a amargar depois da apertada vitória eleitoral de Dilma Rousseff o pior dos infernos políticos, uma vez que fatores como a recessão econômica, acusações e suspeitas de corrupção, transmitidas diariamente pelo Lava Jato e a adoção de uma agenda por parte do próprio Governo Federal logo depois da eleição colocaram, no dizer de André Singer (2015, P. 38), o lulismo nas cordas, levantando, conforme o cientista político da Universidade de São Paulo, a questão do seu futuro num ambiente nacional em que “a burguesia parece inclinar-se para soluções liberais.” Os desdobramentos políticos que giram em torno do impeachment da presidente Dilma Rousseff confirmam esta hipótese do professor da USP.

3. Sobre a necessidade da esquerda latino-americana integrar em suas narrativas sobre a relação entre economia e política o campo da ecologia de forma clara e sistemática

Esquerda? De que esquerda você está falando, cara pálido? É, sem dúvida, uma indagação altamente pertinente! Finalmente, é preciso reconhecer que a história do assim chamado socialismo realmente existente, caraterizada pela negação sistemática dos direitos humanos tem deixado a utopia socialista literalmente em maus lençóis. Contudo, diante da obscena precarização das condições de sobrevivência, a qual a maior parcela da população desta vila global está sujeita, há boas razões para defender a hipótese de que uma esquerda que não abre mão dos ideais da igualdade e fraternidade (Bobbio 1996) e está a par da imperiosa necessidade de (re)equilibrar a relação entre evolução cultural e evolução técnica dentro de uma perspectiva planetária, não venceu o prazo de sua viabilidade. Pelo contrário! Na realidade, se encontra, ainda, no inicio de sua viagem. Mas para poder fazer desta mesma viagem uma história de sucesso, as forças da esquerda precisam se conscientizar que, numa época em que no mundo inteiro o capital está absorvendo parcelas cada vez mais decrescentes da mão de obra disponível, a dialética encontra a sua base no específico4.

Trata-se de um desafio teórico-político que tem sido enfrentado pela esquerda brasileira com uma notável competência através da criação do Fórum Social Mundial que, conforme Boaventura Sousa Santos (2015, p. 20),“mostrou que havia uma riqueza enorme de movimentos e organizações que não estavam aquelas entidades históricas da teoria socialista. Nós temos ainda hoje uma relação fantasma entre a teoria e a prática. Nesse continente, os grandes protagonistas das lutas sociais dos últimos trinta anos, além dos trabalhadores industriais, que estão em declínio, foram os camponeses sem terra, as mulheres, os povos indígenas, os quilombolas. Nenhum desses grupos socais está incluído no O Capital de uma forma clara pelo menos. Portanto, temos que integrar muitas outras formas de dominação e de exploração no marxismo, é por aí que estamos caminhando”.

É uma caminhada complexa, envolvendo a superação definitiva da “mitologização das forças produtivas que, no materialismo histórico pós marxiano, acabou se tornando o elemento determinante da história” (Breuer 1971, p, 48, tradução T.M. Uma mitologização, aliás, que foi facilitada pelo próprio Marx, quando este afirmava que era através da “exploração de muitos capitalistas por poucos” que “desenvolve-se cada vez a forma cooperativa do processo de trabalho, a aplicação consciente da ciência ao progresso tecnológico, a exploração planejada do solo, a transformação de trabalho em meios que só podem ser utilizado e em comum”, contradizendo, nestes termos, a sua magistral análise da subsunção real do trabalho ao capital que transforma os produtores diretos em “complementos vivos de um mecanismo morto que existe independente deles”, negando lhes qualquer perspectiva de emancipação. Contudo, é preciso destacar que a mencionada abordagem do filósofo alemão sobre a tendência histórica da acumulação capitalista, exposta no primeiro livro de O Capital, estava altamente atrativa para as crescentes organizações socialistas do Velho Continente. Lhes permitia combinar a glorificação do proletariado como suposto construtor de um mundo novo com a expectativa teleológica de que a produção capitalista geraria a sua própria negação, uma vez que, como escreveu o velho Engels (MEW 17, p. 221, tradução T.M.) “a livre concorrência transforma-se em monopólio e a produção sem plano da sociedade capitalista capitula ante a produção planificada e organizada da nascente sociedade socialista”. Neste contexto, cabe lembrar que, nos anos vinte do século passado, a socialdemocracia alemã estava convencida que, em consequência da trustificação da economia, se formava um capitalismo organizado que deveria ser conduzido cada vez mais pelo Estado e pelas forças políticas do operariado. Diferentemente disso, os representantes do bolchevismo negavam com veemência a possibilidade da superação pacífica do poder econômico e político da classe dominante. Mas, ao mesmo tempo, apreciavam os métodos de gestão das companhias estatais e privadas de grande porte como referencial norteador para o seu projeto socialista na Rússia Soviética. Na realidade, neste mesmo quesito, socialdemocratas e bolcheviques, irmãos inimigos do movimento operário europeu, fecharam conjuntamente os seus olhos diante do fato de que na relação entre capital e trabalho está inscrita “a dominação dos trabalhadores sob a aparência de exigências técnicas inflexíveis” (Gorz, 1982, p. 44) que, evidentemente, não será superada pela simples passagem da propriedade jurídica da mão de empresários privados para a mão do Estado. Além disso, ambos revelavam uma enorme cegueira perante o futuro do proletário externo do mercado mundial (Darcy Ribeiro). O que esta esmagadora maioria da população mundial, sujeita, nas palavras de Marx, à uma “escravidão sans frase”, podia esperar dos protagonistas do socialismo europeu, tinham demonstrado os socialdemocratas em seu debate sobre a questão colonial no final do século XIX. Ao cultivarem “uma metafísica dos estágios da maturidade” (Negt 1983, p. 82), que avaliava a realidade nas colônias através das lentes da lei de valor do capitalismo avançado, encaravam os povos colonizados simplesmente como criaturas sofridas que precisavam ser libertadas ou apoiados de fora para dentro. (Mitschein 1981, 2016) Certamente, pode-se alegar que, depois do outubro vermelho de 1917, os bolcheviques questionaram esta profunda “arrogância civilizatória” (Schlesinger 1970), uma vez que, em 1920, durante o segundo Congresso da recém criada Internacional Comunista (Comintern), definiram os movimentos nacionalistas e antiimperialistas no mundo (neo)colonial como aliados na luta pela revolução socialista em nível mundial. Contudo, considerando que, diante do isolamento internacional da revolução russa, o Comintern se tornou um instrumento operativo das prioridades da política externa da USSR, ele acabou sendo guiado pelo objetivo de transformar também nos países (neo)coloniais os fellow travellers do outubro vermelho de 1917 em porta vozes leais do sovietismo estalinista.

Por outro lado, pelo fato de ter saído da Segunda Guerra Mundial como Superpotência, a União Soviética começou a oferecer aos países recémdescolonizados da Ásia e da África a sua economia de comando como alternativa ao regime de acumulação do capitalismo ocidental. Mas como os seus adversários do outro lado da cortina de ferro os soviéticos partiram da hipótese de que a integração plena do Terceiro Mundo na órbita da civilização industrial era conditio sine qua non para a superação definitiva das mazelas sociais e econômicas do seu passado colonial. Ou seja: Na realidade, propagavam um industrialismo socialista (André Gorz), baseado na premissa de que tudo o que não se enquadrava nos axiomas da racionalidade instrumental estava obstaculizando o progresso da sociedade e, merecidamente, condenado a desaparecer da face da terra. Todavia, é preciso lembrar que nos países periféricos surgiram em diversos momentos vozes que se posicionaram contra as propostas modernizantes de cunho europeu. Na América Latina dos anos 20 do século passado foi José Carlos Mariatégui (1974, p. 220) que não abriu mão de pensar as especificidades históricoculturais e sócio-econômicas do subcontinente com a sua própria cabeça, insistindo que, no caso peruano, “una política realmente nacional no puede prescindir del índio”, uma vez que “el índio es el cimento de nuestra nacionalidad en formación.” E, depois da Segunda Guerra, se destacava o médico, psiquiatra e intelectual internacionalista de origem caribenha Frantz Fanon (2010, p. 361) que aconselhava os protagonistas do Terceiro Mundo de resistirem à tentação de mimetizar o viés civilizatório dos seus antigos colonizadores, rejeitando com vigor a ideia de que o escravo, ao tentar se igualar ao seu amo, pudesse conquistar a liberdade. Nestes termos, formulou a partir da experiência das guerras anti-coloniais na Ásia e na África – o próprio Fanon participou ativamente na luta da Frente de Libertação Nacional da Algéria (FLN) - uma critica sistemática e contundente de uma Europa colonizadora que “deteve a progressão dos outros homens e os subjugou aos seus desígnios e à sua gloria”, plainando, assim, as bases de uma civilização, que, como tinham realçado Adorno e Horkheimer (2006, p. 18) em seu exílio norteamericano durante a segunda guerra mundial “não conhece barreira alguma, nem na escravização da criatura, nem na complacência em face dos senhores do mundo”.

Contudo, o assim chamado conflito sistêmico entre Ocidente e Oriente na época pós-guerra que, das mais diversas maneiras, influenciou o debate político no assim chamado Terceiro Mundo, acabou sendo enterrado por uma acelerada internacionalização do capital produtivo e financeiro que começava a tomar conta da economia internacional, substituindo, por sua vez, a tradicional divisão internacional de trabalho entre nações produtoras de matérias primas e nações produtoras de bens industrializados por um sistema econômico global que pode ser comparado com um arquipélago (Veltz 1996): Nele se estabelecem relações privilegiadas e sistemáticas entre as ilhas de destaque (global cities) que intercambiam informações, tecnologias e capitais dia e noite com uma velocidade inédita, mas no que diz respeito aos espaços entre estas mesmas ilhas, eles estão sendo tratados nem terras afundas. De acordo com a lógica de funcionamento deste arquipélago, as ilhas que não cuidarem de sua competitividade sistêmica, se tornam com facilidade uma terra afundada. E os “afundados” que querem colocar a sua cabeça para fora da água, devem estar à procura dos famosos nichos nos mercados globais, adotando com afinco a filosofia do “cooperar para competir”5.

Mas na medida em que, na segunda década deste século XXI, a grande maioria dos stakeholders do sistema político-econômico global – tanto em suas ilhas como em suas terras afundadas - continua concentrando as suas energias em estratégias de efetivação de sua competitividade sistêmica, tentando garantir o seu lugar numa roda de hamster, onde sempre haverá espaço somente para poucos, de onde será que virão as alternativas à lógica reprodutiva de um modelo civilizatório que:

- continua negando à esmagadora maioria da população do hemisfério Sul condições minimamente civilizatórias em áreas tão essenciais como saúde, saneamento, educação, moradia, segurança alimentar e renda familiar e, como é de notório saber,

- está destruindo com botas de sete léguas as bases naturais da própria sobrevivência humana no planeta inteiro?

Enfim, um sistema que, no dizer de Samir Amin (1993, p. 444, tradução T.M.) “encontra a sua verdadeira barreira histórica no mundo polarizado que ele mesmo cria e que se torna cada vez mais inhumano e explosivo.” Infelizmente, não dispomos de nenhuma bola de cristal que pudesse nos dar uma resposta mais substancial à esta indagação. Mas mesmo assim ousamos de levantar a hipótese de que as forças de esquerda do Brasil e dos seus vizinhos de fala espanhola estão predestinadas para assumir um papel de destaque nesta empreitada na medida em que se conscientizarem que as regiões tropicais do planeta terra são um espaço privilegiado para a criação de uma civilização original da biomassa que, ao permitir de inserir de forma sinérgica na relação entre economia e política o campo da ecologia, se opõe com afinco às "soluções uniformizantes que a tecnocracia arrogante e despreocupada com o contexto social, tenta impor ao mundo inteiro" (Sachs 1986, p. 124).

4. O virtual vanguardismo de um Brasil que aposta na viabilização de uma civilização original da biomassa

Descoberta há aproximadamente 50 anos pela tecno-burocracia do Governo Federal como possível alavanca para o avanço econômico da nação, a Amazônia brasileira se tornou objeto de um modelo de crescimento que os seus idealizadores chamaram de desequilibrado e corrigido. (Sudam 1976).

Desequilibrado porque favorecia setores produtivos (mineral, madeireiro, agropecuário, pesqueiro empresarial etc.), dos quais se esperava vantagens comparativas no âmbito do mercado mundial. E corrigido porque previa intervenções por parte do Estado para mitigar os desequilíbrios que a implementação do mencionado modelo trazia necessariamente em seu bojo. Contudo, o que a ação corretiva da mão pública pressupõe, é dispor de poder de fogo em termos financeiros. No entanto, fatores como o pagamento dos encargos da dívida externa, baixas taxas de crescimento econômico e, certamente, as receitas do fundamentalismo de mercado fizeram com que esse poder de fogo minguasse expressivamente. As consequências deste enredo são bem conhecidas: A devastação da extraordinária biodiversidade amazônica e a marginalização socioeconômica de crescentes segmentos da população regional acabaram se tornando duas faces da mesma medalha. E isto justamente num momento em que nos países do hemisfério Norte a sociedade civil começava a se mobilizar cada vez mais em torno de temas ambientais como a contaminação dos rios e dos oceanos, a destruição das florestas e a questão climática. De qualquer maneira, diante das pressões que estavam sofrendo por parte destes novos atores do campo ecológico em sua própria casa, os governos dos Sete Países mais Industrializados (G7) aprovaram em dezembro de 1991 o Programa Piloto para a Proteção da Florestas Tropicais do Brasil, lançado oficialmente durante a Eco 92 no Rio de Janeiro que problematizava o cenário da destruição socioambiental em nível global. No entanto, mesmo considerando que os projetos do PPG7 tenham gerado insumos notáveis para a definição de opções sustentáveis de aproveitamento dos recursos naturais da região; em sua essência, o Programa pouco contribuiu para a proteção das florestas amazônicas. Aliás, por uma razão bastante simples: limitava-se à experimentação de iniciativas piloto, deixando a questão da transformação dos seus achados em práticas generalizadas por conta das instâncias governamentais do Brasil. Ora, estas, ao enfrentarem a duras penas os impactos nocivos da década do desenvolvimento perdido da América Latina, não estavam nem de longe em condições para cuidar de fato de uma Região de Dimensões Continentais. Encurraladas entre as imposições dos representantes do sistema financeiro global - que cobravam políticas de contenção das despesas públicas - e as reivindicações dos movimentos ecológicos do mundo inteiro - que insistiam na implementação de políticas eficazes na preservação da maior floresta tropical contínua do planeta -, as instâncias da política brasileira encontravam-se no meio de um fogo cruzado entre cobranças nitidamente excludentes. Podiam atende-las concomitantemente, caso soubessem assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Mas já que não sabiam, seguiam as receitas que vieram dos grãovizires da banca internacional. Em consequência disso, se instalou na Amazônia, no decorrer da última década do século XX, uma “fronteira experimental” (B. Becker), onde inúmeros atores (inter)nacionais insistiam em testar alternativas ao cenário da destruição sócio-ambiental. Mas embaixo desta redoma artificial, por sua vez distante das raízes sócio-culturais dos próprios protagonistas regionais, estavam se potencializando os desequilíbrios que a forçada ocupação da Região tinha gerado, manifestando-se através de uma crescente concentração fundiária, de um inchaço desenfreado das áreas urbanas e de expressivas taxas de desmatamento que acabaram transformando a hiléia amazônica na maior emissora de carbono de todo o Brasil. E esta situação continua em vigor. Na região inteira! Apesar do fato de que, na década passada, o Governo Federal tenha insistido na retomada do papel do Estado como indutor e regulador do desenvolvimento nacional, implantando uma espécie de capitalismo organizado que gira em torno da função estruturante da mão pública, mas obviamente não foge das imposições de um sistema econômico global que, ao forçar todos os seus stakeholders de rezar o pai nosso da competitividade sistêmica, está aprofundando a polarização social e espacial no âmbito do território nacional, deixando, consequentemente, a Amazônia em sua condição de refém do mencionado modelo de crescimento desequilibrado que lhe foi imposta nas últimas décadas do século passado. (Mitschein, Chaves 2014) Mas este cenário deixa de ser uma fatalidade intransponível se o Brasil, de acordo com Mangabeira (2008, p. 1, destaque T.M.) resolver de enxergar a reinvenção da região como uma oportunidade para o país se reconstruir no século XXI.

"Transformando a Amazônia - escreve o intelectual brasileiro - o Brasil se transformará. (...) Hoje a discussão do destino da Amazônia serve como alavanca de pressão do mundo sobre o Brasil. Pode, porém, abrir espaço para nós no mundo. Para isso, temos de mostrar como, ao reafirmar nossa soberania na Amazônia, podemos fazê-lo a serviço não só do Brasil mas também da humanidade. Uma iniciativa nacional a respeito da Amazônia é capaz de esclarecer e de comover o país. Presta-se a uma iniciativa de libertação nacional. No século 19, completamos a ocupação do litoral. No século XX, avançamos para o centro-oeste. No século XXI, reconstruiremos o Brasil ao reinventar a Amazônia" (Belém 2008, p. 1, destaques, T.M.).

Abordando os territórios já desmatados da região - uma gigantesca massa territorial de quase 800.000 km2 que ultrapassa mais de duas vezes a extensão geográfica de um país inteiro como a Alemanha reunificada - como virtual espaço de inovação, onde se deve construir "na agricultura, na pequena indústria e nos serviços um modelo econômico que não repita os erros do passado", o intelectual brasileiro defende a geração de sinergias entre "indústrias de ponta, "pós-Fordistas" (que) podem produzir, de maneira, não padronizada, máquinas e insumos que a retaguarda de empreendimentos menores e mais atrasados consigam usar." (ibid. p. 4). Contudo, há de levar em conta que uma iniciativa ambiciosa de recuperação das áreas alteradas da Amazônia através de sua revitalização econômica em moldes sustentáveis, se choca frontalmente com as determinações de uma política econômica que, não obstante sua retórica anti-neoliberal, reserva a setores como educação, saúde, saneamento, ciência e tecnologia, gestão ambiental, agricultura, organização agrária e indústria magros um pouco menos do que 10% do Orçamento Geral da União, mas destina entre 43, 98 e 45,11% ao pagamento de juros, amortizações e refinanciamentos da dívida pública do país (dados dos anos 2012 ate 2014).

No entanto, por mais que esta "brutal transferência de recursos públicos para o setor privado - nacional e internacional" (Fatorelli 2011) esteja representando hoje o nó górdio da política brasileira, se os principais protagonistas desta última demonstram pouca vontade para desatá-lo, é porque preferem evitar conflitos com os bancos nacionais, estrangeiros e investidores internacionais que, junto com as seguradoras, detêm 62% do estoque da divida pública brasileira. Trata-se, sem dúvida, de uma postura entendível no âmbito de um sistema econômico global que, mesmo depois da caída do Muro de Wallstreet em 2008, continua sujeito aos humores de mercados financeiros que, pelo seu próprio tamanho e seu baixo nível de regulação, continuam determinando os rumos das politicas econômicas nacionais no âmbito do arquipélago global da economia. Mas não deixa de revelar uma predisposição perigosamente omissa, uma vez que acaba empurrando com a barriga as dramáticas mazelas sociais e ambientais que, das mais diversas formas, estão castigando todos os territórios do Brasil. E, ainda, está negligenciando radicalmente o excepcional poder de barganha que, em princípio, a maior floresta tropical do planeta e os extraordinários serviços ambientais, suscitados por ele, podem proporcionar para o Brasil numa sociedade planetária que está cada vez ameaçada pela acelerada destruição das bases naturais de sua sobrevivência.

Mas como transformar este poder virtual numa realidade palpável?

No dizer de Mangabeira Unger através de uma política que faz do "soerguimento da Amazônia prioridade brasileira na primeira metade do século XXI," transmitindo com clareza de que maneira a reafirmação da soberania nacional no território amazônico servirá tanto ao Brasil como à humanidade toda. Uma política, portanto, que precisa se afirmar através do estabelecimento de uma relação mais equilibrada entre economia e ecologia que, no âmbito do trópico úmido, pressupõe a criação de uma moderna civilização da biomassa, capaz de matar, literalmente, dois coelhos com uma cajadada só: Ao priorizar o "uso múltiplo da biomassa terrestre e aquática como alimento humano, ração para animais, adubo verde, bioenergias, materiais de construção, fibras, plásticos, demais produtos da química verde e dos bioreferências do futuro" (Sachs 2009) acaba incentivando, aliás em todas as regiões do território nacional, as potencialidades endógenas de desenvolvimento dos múltiplos espaços locais. E pelo fato de abordar os ecossistemas ainda intactos como um renovável tesouro de insumos naturais para os mais diversos campos da reprodução humana está justificando de uma maneira didaticamente clara a necessidade imperiosa de sua proteção, facilitando, assim, a "redução da velocidade do desmatamento" que, no caso brasileiro, representa o "maior potencial de mitigação do efeito estufa" (Fearnside 2003, p. 72)" e, ainda, proporciona condições para organizar trocas mutuamente benéficas entre os habitantes das reservas indígenas da Amazônia e as populações do seu entorno no âmbito de iniciativas de reflorestamento com espécies nativas6.

De qualquer maneira, uma política desta natureza transformaria o Brasil numa espécie de pioneiro no campo da política climática, lhe dando no âmbito internacional um papel de destaque que poderia aproveitar especialmente em sua condição de membro dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), um grupo de países emergentes que responde por notáveis 25% de toda a riqueza globalmente contabilizada. Contudo, por mais que o avanço econômico dos NICS tenha mostrado que o capital em sua qualidade de “valor em progressão” (Marx) pouco se importa com a cor de pele daqueles protagonistas que sabem manejar com eficiência as suas leis intrínsecas, ela encontra fatalmente o outro lado de sua moeda na acelerada destruição dos ecossistemas locais, regionais e globais que, nos dias de hoje, revela a sua mais dimensão dramática no âmbito da questão climática. Se os treze bilhões de gás carbônico que - de acordo com os especialistas - os oceanos e a biomassa terrestre podem absorver anualmente forem reconhecidos e respeitados como um limite natural intransponível e se, ainda, todos os 7 bilhões de habitantes desta assim chamada vila global tivessem o mesmo direito à poluição destes sumidouros, neste caso ninguém poderia emitir mais do que 1,9 toneladas. Só que, atualmente, emergentes como a China, a Índia ou o Brasil já ocupam o seu lugar de destaque entre os TOP TEN dos maiores poluidores da atmosfera. E na medida em que suponhamos que os 2,5 bilhões chineses e indianos emitissem per capita a mesma quantidade de C02 como um cidadão médio norte-americano, neste caso somente as suas emissões de dióxido de carbono chegariam a ultrapassar o volume de CO2 que, em 2013, o conjunto dos países do planeta tinham depositado na atmosfera. No entanto, por mais que um cenário deste tipo seja um perigo para a humanidade inteira, os seus impactos mais nefastos afetarão, sem sombra de dúvida, a população de baixa renda daqueles países do Sul que se destacam pela sua alta vulnerabilidade a efeitos de mudança climática como inundações, secas, tempestades e a elevação do nível do mar7.

De qualquer maneira, justificaria de forma redobrada uma iniciativa conjunta de dois emergentes como o Brasil e a República Popular da China em torno da implementação de uma política que de reflorestamento dos aproximadamente 100 milhões de hectares de pastagens degradadas, abandonadas e subutilizados com o intuito de produzir alimentos em grande escala, mostrando, assim, que formas sustentáveis de uso das áreas amazônicas são de suma importância para nação brasileira. Seria pertinente os dois membros dos BRICS começarem um projeto desta natureza no Sudeste Paraense, uma mesorregião do Estado do Pará que, nas três décadas passadas, se tornou uma das principais plataformas da extração mineral do Brasil, tendo encontrado na demanda da República Popular da China pelo minério de ferro da Serra dos Carajás a garantia do seu crescimento. No entanto, por mais que esta demanda do gigante chinês tenha se revelado como uma história de sucesso para a balança comercial do Brasil e para os acionistas das grandes mineradoras, ao mesmo tempo perpetuou o cenário da destruição socioambiental de um território de colonização recente, cuja economia gira hoje em torno dos grandes projetos minerais e de uma pecuária extensiva, tendo conjuntamente proporcionado em seus 39 Municípios um processo de urbanização selvagem que segrega porque nega à esmagadora maioria da população regional condições minimamente satisfatórias em áreas tão essenciais como educação, saúde, saneamento, moradia, segurança alimentar ou renda familiar (Mitschein, Chaves 2013).

Contudo, no que diz respeito à reversão deste mesmo cenário, ela deveria ser iniciada através da multiplicação de projetos agrosilvipastoris que estão talhados para:

- iniciar a recuperação dos solos das áreas rurais dos espaços municipais;

- elevar significativamente a renda mensal das famílias envolvidas e

- avançar na criação de forward linkages em setores como a fruticultura ou na produção de leite, gerando, assim, ocupação, emprego e renda em zonas urbanas que já concentram mais de 70% da população residente do Sudeste Paraense (Mitschein, Chaves, do Vale 2011, Mitschein, Chaves, Estumano 2014).

- abrir uma perspectiva promissora para estabelecer uma relação de troca mutuamente benéfica entre os colonos envolvidos e os Kayapó, donos da última reserva florestal do Sudeste Paraense que guarda as sementes das espécies nativas que precisam ser adquiridas para a viabilização de projetos desta natureza e, ainda,

- pudessem fazer valer na mencionada reserva indígena o mecanismo do REDD (Redução de emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) que foi aprovado em julho de 2015 como instrumento de combate ao efeito estufa.

De qualquer maneira, se trataria de uma iniciativa que preparasse as bases para a criação de uma civilização original da biomassa nos moldes levantados que, com as devidas adaptações aos respectivos espaços regionais/locais, se apresenta como a alternativa mais viável ao processo da destruição socioambiental nas regiões tropicais da América Latina, da África e da Ásia que:

- hospedam quase a metade de todo o estoque florestal do planeta, proporcionando serviços ambientais que são de suma importância para a humanidade toda e, nesta condição,

- se apresentam como uma extraordinária oportunidade para a construção de uma aliança tri-continental que poderia se tornar o embrião de um grande Sul, “garantia de enfraquecimento do sistema econômico dominante e de suas lógicas predadoras” (Ventura 2014, p. 31) e sinal de esperança no sentido de mostrar que a mencionada dialética do específico encontra o seu solo mais fértil nas sociedades da América Latina, da África e da Ásia.

Certamente, pode-se alegar que as linhas de argumentação desta abordagem estejam impregnadas por uma dose expressiva de pensamento utópico. Trata-se de uma objeção que levamos à serio. Mas se ela oprime de forma suportável a nossa consciência é porque estamos convencidos que numa sociedade globalizada em que as fantasias mais macabras não competem mais com a própria realidade, são justamente as utopias sócias que acabam guardando um teor mínimo de realismo.

Notas

(1) Sobre o ecossocialismo veja: Por uma ecologia socialista. Entrevista especial com Michael Loewy, in: www.ihu.unisinos.br./entrevistas/ Dentro do quadro partidário brasileiro, a entidade que mais se aproxima ao ideário do ecossocialismo é o RAIZ Movimento cidadanista, in: www.raiz.org.br.

(2) Iniciativas como o lançamento de uma campanha cooperativista que visava aumentar a produção nacional de alimentos, sapatos, automóveis e insumos para o setor da computação fracassaram, já que, de acordo com fontes oficias. das 181.000 cooperativas registradas apenas 40% estavam funcionando de fato (Zelik 2011).

(3) Uma expressão da enorme dificuldade do Governo Maduro se relacionar com a atual crise do país é uma política econômica que, para evitar a desvalorização da moeda nacional, introduziu em 2015 três taxas oficiais de câmbio entre o US-Dolar e o Bolívar e acabou incentivando maciçamente a ampliação das transações mafiosas nos mercados paralelos. Basta mencionar que, na fronteira com a Colômbia, o comercio ilegal da gasolina subvencionada da Venezuela se tornou mais lucrativo do que o comercio das drogas.

(4) A predominância do geral – conforme Oskar Negt (cit. in: Mitschein, Miranda, Paraense 1989, p.25,26) - ocorreu até o momento em que o capital e a troca de mercadorias (...) sempre absorviam todo o específico, sempre tendo as mesmas funções e consequências. Se partimos desta perspectiva e a complementarmos ainda pela universalização da racionalidade tecnológica, continuará sendo possível o trabalho que focaliza a universalização. Entretanto, do polo oposto, da base da resistência, é necessária uma outra linha de pesquisa. Aqui deve ocorrer um desdobramento do concreto real em unidades bem menores. Na unidade cultural de um país, em suas especificidades sociais, na constituição de sua vida política. A forma celular da qual fala Marx na análise da mercadoria e do capital perdeu a sua posição única e dominante na teoria. Quem, em qualquer lugar, por onde passa, vê apenas o capital, a produção de mercadorias, a propaganda e os comerciais, entenderá muito pouco dos contextos sócias destes países e não perceberá como se constituem movimentos de resistência. Quem pesquisar hoje formas celulares em suas múltiplas manifestações, terá que tomar como ponto de referência os sujeitos envolvidos, ou seja, a força de trabalho que está sendo aplicada, marginalizada, transferida ou se retira no underground”.

(5) É a famosa receita dos clusters que continua sendo vendida para os afundados no mundo inteiro como um raio de luz na escuridão de um túnel sem fim.

(6) Em territórios de colonização antiga e recente como no nordeste e no sudeste do Estado do Pará, os últimos estoques de floresta primária se encontram justamente no habitat dos povos Tembé e Kayapó, onde o desmatamento e a ocorrência de incêndios são reconhecidamente bem menores do que nas áreas fora do seu perímetro. (Mitschein, Rocha, Dias 2012)

(7) À titulo de exemplo, basta mencionar a passagem do Tufão Haiyan em novembro de 2013 pelas Filipinas que, poucos dias antes da realização da United Nations Climate Change Conference na cidade de Varsóvia, deixou seu rastro de devastação num país insular com um PIB per capita de aproximadamente US$ 3000.

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*Thomas Mitschein é sociólogo, Dr. phil pela Universidade de Muenster - Alemanha, desde1992 pesquisador e docente em entidades técnico-científicas de países amazônicos, atualmente coordena na Universidade Federal do Pará (UFPA) a implementação do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento - Fomentando a Criação de uma moderna Civilização da  Biomassa na Amazônia e é Professor do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA.


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