O Golpe de 2016: A Farsa da História

  • 01 de Setembro de 2016

Ainda não sabemos o que dirão os livros de história daqui a algumas décadas. Mas o dia 31 de agosto de 2016 deve ter seu lugar neles. Observamos estupefatos a consolidação de um dos mais sofisticados golpes já perpetrados no mundo.

Transformar uma correlação de forças negativa na destituição de uma presidenta eleita foi um caminho cuidadosamente e pacientemente articulado pelas classes dominantes.

De fato, os sinais de mudanças já tinham aparecido há tempo. No Brasil, ficou evidente que o modelo "ganha-ganha", em que os mais pobres eram incluídos ao mesmo tempo em que os mais ricos mantinham e ampliavam seus privilégios, claramente ficou insutentável. E -não por falta de aviso- o petismo não mudou os rumos do barco, cavando assim a própria cova do governo que liderava.

A mídia corporativa cumpriu o papel que se esperava: ficando do lado ao que pendem as classes dominantes. E sua própria cobertura evidencia outros aspectos dos sócios no golpe: o judiciário ocupou o centro do debate com ações justamente em momentos chaves para contribuir com a derrubada do governo, e quando esta já era iminente, nunca mais se soube das espetaculares ações policiais ou judiciais.

A transmissão ao vivo dos "ritos" do Congresso só escancaram algo que o povo brasileiro já sabe e sente: o sistema político está podre. Por mais que bradem ser representantes, a população não se sente representada neles. Na maioria dos partidos não se vê posturas ideológicas coerentes e sim interesses pequenos e influência do poder econômico sobre o político.

E é essa pequenez de nossos "”representantes" que indicam a grandeza do problema. O 31 de agosto marca sim o definitivo caminhar não só para a destruição das políticas voltadas às classes historicamente menos favorecidas, mas também para o rompimento de princípios que nos levaram ao acordo da Constituição de 1988, depois de um longo processo de lutas e participação popular.

Os usurpadores do poder - já que o presidente golpista não quer ser chamado de golpista, embora continuaremos o chamando de golpista - nem fazem menor questão de disfarçar que andam de mãos dadas com interesses das grandes empresas, do capitalismo financeiro, das potências internacionais, não escondem que defendem as mesmas reformas que os privilegiados de sempre, talvez porque sejam eles mesmos parte destes privilegiados.

Não se trata de nada abstrato, e sim de ações muito concretas que devem prejudicar justamente os mais empobrecidos, com a desproteção social do Estado, a precarização das condições nas periferias e aumento da pressão e violência sobre os territórios tradicionais.

Não é um fenômeno só nosso. O conservadorismo e o avanço dos interesses econômicos em detrimento dos direitos sociais é crescente mundo a fora e Brasil adentro.

A violência da Polícia (leia-se do Estado) contra os atos imediatos após a confirmação do golpe escancaram que chame-se golpistas ou usurpadores, não estão de brincadeira. A mesma violência cotidiana que é aplicada nas favelas e no campo é ativada contra as manifestações políticas.

Mas não esqueçamos que foi assim cutucaram a onça com vara curta em junho de 2013. E que seguimos vivos, ativos, acordados, de pé.

O momento mais escuro da noite é justamente antes do amanhecer.

#ForaTemer
Amanhã vai ser maior!


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