Nota contra o fim do Ministério da Cultura

  • 13 de Maio de 2016

 

"O que nos une é muito maior do que o que nos separa"

A RAiZ Movimento Cidadanista se une ao afinado coro de artistas de todas as partes desse grande país para repudiar com veemência a subordinação do Ministério da Cultura (MinC) ao Ministério da Educação (MEC), mudança realizada pelo governo do vice-presidente da república Michel Temer de acordo com seu plano “ponte para o futuro”.

Ao lado de atores, músicos, escritores, comunidades, profissionais do audiovisual, das artes plásticas e de toda atividade cultural brasileira, nós nos perguntamos: que ponte para o futuro é essa que retrocede no tempo?

Quão tolo pode ser um governo que não reconhece na Cultura um dos seus valores agregadores e identitários? Pergunta difícil de responder nesses tempos sombrios...

A raiz, alicerce fundador dessa nação, se deu pelas contribuições das culturas europeias, indígenas, africanas e de outros povos, explorados que com seu suor diário construíram a identidade desse grande pedaço de terra continental dando um novo significado a palavra nação. Conquistamos nas últimas duas décadas o que foi negado pelos séculos que antecederam, as chamadas minorias.

Aqui não compete múltiplas interpretações: São nossos colegas todos os que sobem ao palco, seja ele o grande teatro ou a esquina de uma rua desconhecida para levar ao outro um pouco de sua história e de sua cultura, por qualquer uma de suas expressões artísticas. A arte sempre foi generosa, os governos não.

Ao lado dos quilombolas, das comunidades indígenas, das manifestações da cultura urbana, ao lado do usuário da cultura nós elevamos nossa voz para dizer que ainda que em um governo que "brinca" com a democracia, que zomba do estado de direito, não lhe é dada permissão para agir como uma borracha em nossa história de conquistas.

Dizemos não ao fim do MinC e de suas políticas.

Não entendemos como gasto nenhum investimento em cultura, mas sim como investimento em cidadania. Nenhum país sério no mundo se afirmou negando suas raízes.

Na chamada “Era Collor” o Brasil viveu o maior apagão cultural já registrado, maior até que durante a ditadura militar, pois políticas neoliberais são tão nocivas quanto as ditaduras. E a arte, essa nunca se curvou ante a ordens de cima para baixo.

Nenhum solo será fértil sem ideias e ideais. Cultura é um conceito amplo, mas aqui, podemos ignorar o sentido múltiplo semântico para dizer que o fim do Ministério da Cultura é uma afronta as conquistas dos menos favorecidos, e a RAiZ Movimento Cidadanista subirá a qualquer palco para defender a democracia e o livre direito de expressão. Não duvide, eles estão em jogo. Quando se descarta a política cultural de um estado soberano, podemos questionar a própria soberania do mesmo.

Nesses momentos incertos tenha a certeza que nossas raízes espalhadas por todo território nacional , repudiam retrocessos, e estarão ao lado dos artistas, produtores culturais e movimentos sociais, que tem seu norte na Cultura. Uma nova política não nasce ignorando-a. Ignorá-la é semear a discórdia e a ignorância. Não é nenhuma “ponte para o futuro”, mas um passo para o abismo neoliberal e o empobrecimento enquanto nação.

Resistiremos aos momentos sombrios como um ator que aguarda na escuridão do palco o acender do primeiro refletor.

Ganhamos tão pouco para quem tanto contribuiu para a formação de nossa identidade que não podemos nos dar ao luxo histórico de perder nada, nenhum direito, nenhuma política já estabelecida.

Que cada artista ou ativista cultural, saiba que nesse crepúsculo da democracia a RAiZ não se ausentou. Nossos braços são seus também. Nossa voz é a sua também.

Do palco italiano ao artista de rua. Do terreiro de candomblé à missa de domingo... o que nos une é muito maior do que o que nos separa.

E é nesse aspecto que declaramos: Resistiremos!


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