A LEI SOU EU! MEU NOME É CORONEL!

  • 10 de Maio de 2016

por Walter Tabacniks*

Como é difícil nos livrarmos das sombras coronelistas embrenhadas em nossas veias. Desde o início do segundo mandato de Dilma, questões de mando a qualquer preço travam todo cenário político nacional, num pandemônio jurídico onde ninguém mais tem certeza de nada, mas crê como certa a condenação da/o outra/o, logo, sua impunidade.

Um país que cita anedoticamente a qualquer negociação que “la garantia soy jo” – sem aqui querer fazer troça com nossos vizinhos hispânicos, também cita na boca miúda que vence o julgamento na corte quem tem o melhor advogado. Isto, em última análise, significa que a lei, ora a lei, é apenas um mero elemento decorativo que pode ser adaptado à interpretações da mesma forma que números de pesquisa encomendada. Assim os números, assim a lei e seus argumentos são maquiados de acordo com o gosto do freguês.Onde está a trapaça? Não nas cartas, mas nas pessoas que foram retratadas

Se não temos parametricidade muito menos fundamentação jurídica coerente, qualquer pessoa, desde a mais exaltada e sinistra – com todos os cacoetes que a função teatral de advogada/o permite, até a pessoa mais calma e ponderada que apresenta um discurso “juridiquês” que leva a/o ouvinte a fazer crer o seu embasamento, pode usar a lei que achar conveniente a provar que sua tese está certa. Ou seja, voltamos ao mando coronelista: o dono da gleba decide quem deve morrer e quem deve viver, a despeito dos argumentos que serão utilizados.


Onde está a trapaça? Não nas cartas, mas na escolha dos personagens para compor esta imagem.


Não temos mais em nosso meio os “bons e velhos – porém cruéis – coronéis” (muitos têm o desejo de resgatá-los) para alvejar (ver definição 2) nosso ambiente político. Se há entranhada em nossa herança cultural a premissa de que “havendo lei, devemos encontrar um viés jurídico para burlá-la”, torna-se difícil querer tratar qualquer fato à luz do direito.

Está aberto o festival da regra do jogo de crianças. A dona do brinquedo decide, de acordo com sua vontade, quando é hora de mudar as regras para poder continuar brincando. Assim as crianças, assim os adultos. Assim o povo, assim seus representantes legitimamente eleitos. Evidente que com toda garantia (soy jo) de que se trata de uma atitude pensada, ilibada e absolutamente embasada em todos os princípios éticos blá blá blá.

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*Walter Tabacniks é jardineiro da RAiZ - Movimento Cidadanista e integrante do GT de Polinização (comunicação).

 


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