A história se constrói nas ruas e sem medo!

  • 22 de Março de 2016

A história é uma “senhora que caminha a passos lentos”, suas grandes mudanças costumam levar tempo para acontecer. Porém, há momentos em que essa senhora resolve apertar o passo e fica até difícil para nossas pequenas pernas acompanhá-la.

No meio desse turbilhão político que vivemos, temos que ter claridade que a história não se faz apenas com acordos de gabinetes, ela se constrói nas ruas.

A indignação contra a corrupção de um governo e seus sócios políticos e econômicos é legítima, deve ser apurada e os culpados precisam responder no rigor da lei. Entretanto, os julgamentos precipitados, os vazamentos seletivos, amplificação pela mídia, atropelando o Estado de Direito e os caminhos previstos pela lei, ameaçam não só o direito de poucos, mas o de todos.

Os erros do atual governo não se dão somente nos desvios éticos, mas também no plano político, em que para tentar se salvar, equivocadamente trai aqueles que votaram e o apoiaram pouco tempo atrás e faz concessões a seus algozes. Mas as elites não querem apenas concessões, elas querem tudo!

Todo o clima instabilidade não se deve apenas à economia e à corrupção. Estamos assistindo sobretudo a uma disputa de poder, uma queda de braço que pode ser decisiva na história de nosso país, que envolve também estratégias e interesses de desestabilização financiados pelo poder econômico nacional e internacional, assim como acontece em outros países da América Latina.

Está claro que os que herdariam o poder ilegalmente com um processo de impeachment também estão muito comprometidos com a mesma estrutura corrupta. Por isso, além da investigação de todos envolvidos com base na lei, é necessário transformar nossa estrutura política permeada pela corrupção, radicalizando a democracia e não violando-a, incrementando as possibilidades de participação popular, transparência, controle e fiscalização sociais em relação ao bem público que pertence a todos nós.

Além disso, por detrás dos protestos pelo impeachment está a organização de um programa radicalmente neoliberal acordado por setores minoritários que sempre gozaram de privilégios no Brasil. Pese o atual governo já estar implementando aos poucos diversas medidas que significam retrocessos sociais, a plataforma conservadora da oposição é muito pior: recorte nos direitos trabalhistas, redução da maioridade penal, mais privatizações, retirada de direitos dos povos indígenas e tradicionais, mais repressão às manifestações sociais, política internacional subserviente aos EUA e contrária aos BRICS e à construção de uma ordem multipolar mais equilibrada a nível internacional, entre outras propostas.

É ainda mais preocupante o poder de barganha que os setores abertamente fascistas que têm se manifestado nos últimos anos poderiam ter numa nova ordem resultante da ruptura do sistema democrático.

Os defensores do impeachment, pese a falta de respaldo jurídico para esse ato, sabem bem que o tema agora é mais político do que legal. O aparato midiático já se encarregou de condenar, ter provas ou não já é pouco importante.

É aí que entra a resposta dos setores sociais progressistas para dizer não ao descarado atropelo de nossa jovem democracia, conquistada com muita luta. Não aos retrocessos, não ao avanço do fascismo. A democracia, como bem nos mostrou 1964, não permite nenhum passo atrás. A democracia não é fim por si mesma, é um princípio e um meio que nos permite avançar a uma sociedade mais justa. Ela não se negocia em favor de barganhas de um ou outro grupo e não admite retrocessos. Não aceitamos menos democracia, queremos mais!

Só ganhando as ruas e mostrando com contundência a força dos setores democratas e progressistas do Brasil é que podemos barrar esse golpe engenhosamente arquitetado sobre um governo débil e vacilante, mas que no fundo implicaria uma grande derrota para a democracia, para todo campo progressista e para as maiorias brasileiras. Um golpe que atenta contra as múltiplas redes de cidadania que são as verdadeiras protagonistas da democracia brasileira.

A RAiZ – Movimento Cidadanista convida à ação e reflexão para a construção de um projeto de Brasil a longo prazo, um projeto civilizatório, sustentável, para superar a corrupção, desigualdades e injustiças que foram base da construção desse país. Um projeto amoroso e para todos, baseado em princípios como o ecossocialismo, o bem viver dos povos indígenas e o ubuntu africano.

Por isso, nesse momento histórico grave e complexo manifestamos nosso apoio à Frente Povo Sem Medo e convocamos apoiadores, simpatizantes e sociedade em geral para somar esforços na construção de uma frente ampla dos defensores da democracia para dar uma resposta contundente nas ruas nos próximos dias 24 de março e 31 de março.


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