Há crise. Há Luta. E Há São João.

  • 24 de Junho de 2016

Não podemos afirmar que as pessoas nas grandes metrópoles consigam parar para avaliar a importância das festas juninas em nosso país, em qualquer uma de suas unidades federativas.

Talvez por estar justamente no período posterior a festa de Santo Antônio e a festa de de São Pedro essa seja a data para a grande festa, que para o interior de muitos estados e muitos ESTADOS inteiros, especialmente e com muito carinho no nordeste brasileiro seja o grande momento do encontro. De festa pagã, celebrando o Solstício de verão na Europa, herdamos de nossos colonizadores portugueses cristãos a versão moderna dessa festa. Mas não seguimos a receita a risca. Arriscamos inovar, acrescentar a essa versão o nosso toque mestiço, identitário e cultural. Aqui encontramos a mistura.

Quem de nós não participou de uma quadrilha na escola? Nós assumimos um papel, nos tornamos atores de uma peça da memória brasileira, uma nação é moldada por suas tradições e memórias

Que por um dia, e se esse for o dia de São João que bom, que nossa herança cristã portuguesa esteja presente. Se for por nossa origem honrando o solstício de inverno e a belíssima Lua que antecedeu esse São João que também seja. Poderíamos apontar outras vantagens, mas como pessoas de boa vontade, independente do seu credo, independente da sua motivação, o São João nos aproxima. Encontramos na quadrilha aquela pessoa insuportável, e damos o braço a ela. Porque não ousaríamos desfazer o círculo da quadrilha. Estouramos fogos para acordar São João. Oramos e retornamos a igreja para referenciar não um santo, mas essa aproximação, que no nosso entender faz muito mais sentido no frio do inverno, pois agrega.

Na fogueira de tantas tradições de histórias orais, de contadores de histórias, de griôs…

Voltamos a nossa origem primordial, pois dispensando o que é supérfluo sobrevivemos… não… errado.. vivenciamos o São João, a simpatia, a alegria e a boa vontade.

É claro que sempre existirão aqueles que exploram a data para diversos fins. A esses não é necessário dedicar nem sequer uma linha.

Os ouvidos que apreciam nosso modo de olhar, hoje, dia de São João, estão entoando canções vindas de outras épocas em torno de fogueiras de bairros, de esquinas, de pessoas que mantém a fé. E as vozes mais altas são dos desprovidos de quase tudo. É ao lado deles que nossa voz precisa se elevar.

Palavra apropriada, pois não é posse de nenhuma religião de fato. Ela quer dizer de forma ampla ter certezas que a própria certeza não pode explicar.

Então colegas Enraizados, que voltemos no tempo, para tomar um quentão, para visitar uma quermesse, para falar sobre o pau de sebo ou as bandeiras de Santo Antonio que abrem os caminhos da Celebração das festas Juninas, saibamos que não estamos ali senão honrando nossa memória, ainda que não tenhamos essa consciência, nossos antepassados e nosso futuro, pois quem conhece o passado honra sempre o futuro com a perseverança dos otimistas.

No final o recado é tão simples. Viva e Vivam São João. Não o santo, mas o espírito que ele representa para nós… Que a luta seja diária. Que a certeza seja diária. Mas que sejamos felizes por cada instante da luta e do dia. Que sejamos todxs felizes nesse São João.

Nosso nome não pode ser RAiZ por acaso. Somos parte desse chão e dessa história. Que sejamos hoje não prosa, mas poesia, que se carrega no ar pela brisa e alcança a todos, até aqueles que não vivenciam a importância de celebrar diversos rituais, para sermos únicos. E ao sermos únicos como povo temos a possibilidade e o desafio de sermos diversos, pois somos soma e não subtração.

E viva São João!


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