Carta em apoio à paz na Colômbia

  • 23 de Junho de 2016

"En esta lucha el pueblo vencerá porque
no hay fuerza capaz de impedir la victoria
de un pueblo unido que lucha por sus derechos,
que la lucha inspirado en ideales
nobles y generosos"
(Camilo Torres)

 

Tem dias que certamente entram para história. Tem datas e feitos que humanistas devem comemorar. Hoje parece ser um deles. Nesse dia 23 de junho de 2016 finalmente foi assinado um acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc, mais antiga guerrilha do continente, depois de quase quatro anos de negociação realizadas em Havana, com especial apoio internacional de Cuba e Noruega.

Não há dúvidas: o acordo é uma vitória da Colômbia e representa um avanço para a esquerda do país e do continente. Um passo em direção ao fim de uma crise humanitária sempre será um avanço para a esquerda.

Esse conflito matou mais do que qualquer ditadura latino-americana. Somam-se mais de 200 mil mortes ao longo de 50 anos. O total de vítimas se contam aos milhões e os crimes são diversos: estupros, agressões, prisões arbitrárias, sequestros, perseguições, ameaças, deslocamento forçado, cometidos pelos diversos atores do conflito (exército, guerrilhas, polícia, paramilitares). As vítimas são principalmente camponeses, indígenas e afrodescendentes.

No fundo, foram décadas em que enquanto pobres matam outros pobres, os ricos mantém seus privilégios num dos países com as oligarquias mais poderosas e cruéis do continente, que utilizam a máquina do Estado para incentivar e financiar esta guerra permanente, que na verdade remonta a séculos atrás.

É preciso ter clareza de que o conflito colombiano é social e armado. Um acordo de paz, com a entrega de armas da maior das guerrilhas, avança para amenizar as mortes e os confrontos armados. Mas conflito é algo inevitável, mesmo na democracia, e especialmente em sociedades desiguais e injustas como as nossas na América Latina. Agora o desafio é canalizar toda revolta e o conflito pelas vias democráticas, não só das urnas e instituições, mas também das mobilizações, protestos, greves, ocupações. E é aí que a esquerda se fortalece, pois agora definitivamente estará unida numa mesma direção.

O acordo assenta bases para a garantia de participação política dos setores populares e de esquerda historicamente criminalizados e perseguidos, para uma nova política sobre as drogas, para a democratização das comunicações, para a verdade, justiça e reparação das vítimas e para uma nova política agrária que modifique a estrutura concentradora da terra que é uma das principais causas de conflito.

Mas um acordo não pode ser só letra morta. Precisa ganhar as urnas no plebiscito previsto, enfrentando a direita mais reacionário e violenta da Colômbia. E precisa, principalmente, ganhar as ruas e veredas em novas e contundentes mobilizações. Precisa garantir a transformação de uma estrutura historicamente excludente, desigual e concentradora. Porque a paz só será realmente possível com justiça social.

Fica também a expectativa e o apoio ao avanço de negociações entre governo e ELN, outra guerrilha ativa na Colômbia.

Uma guerra não termina de um dia para o outro. Nem a paz chega por decreto. Há um longo caminho que nossos irmãos e irmãs da Colômbia terão que percorrer. O acordo não é um fim, é um começo. É a esperança de que se possa abrir um novo caminho e uma nova forma de caminhar, tendo a paz, a justiça social e o bem viver como horizonte.

E nesse sentido, não estão sós. Contam com a força desse povo valente, forte e resiliente e com o apoio de pessoas e movimentos mundo à fora, aos quais a RAiZ – Movimento Cidadanista se soma de forma muito fraterna e esperançosa.

¡Adelante!
¡Por la paz con justicia social en Colombia!
¡Por la hermandad de los pueblos latinoamericanos!
¡Por el buen vivir en todo el mundo!

RAiZ - Movimento Cidadanista


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