Assim os movimentos sociais estão transformando a democracia através da tecnologia

  • 21 de Setembro de 2016

Por Daniel García para o La Vanguardia | Tradução: Vitor Taveira (Coletivo Chasqui)

Nos últimos anos os movimentos sociais que têm demonstrado seu descontentamento com o sistema - Ocuppy, 15M, girassóis, etc- começaram a se coordenar, criando uma rede de ideias e plataformas eletrônicas capazes de mudar o equilíbrio de poderes imperante. Muitos dos participantes desses movimentos estão chegando a altos postos em diferentes governos arredor do mundo, acelerando, por meio da tecnologia, a passagem da democracia representativa à democracia direta- aquela em que os cidadão tomam as decisões.

"Estamos nos dirigindo ao fim de uma era, a era da democracia representativa", assinala ao La Vanguardia Theodore Taptklis. O cofundador do Human Methods Lab considera que na atualidade "os seres humanos estão bem conectados e educados. Temos muitas crenças e ideologias mas os partidos políticos não podem representar todas. Nos movemos a uma nova fronteira de organização humana que alcançaremos entre 50 e 100 anos. É o fim do iluminismo e o começo da autodeterminação individual". 

O neozelandês Taptiklis é um desses ativistas que, como em outros lugares do planeta, utilizam a rede para construir uma nova forma de convivência. Madri se converteu em umas das capitas desse novo modelo baseado na democracia direta, graças à plataforma Decide.Madrid. O portal permite a participação dos cidadãos na eleição de diferente medidas e já conta com mais de 200 mil usuários. A prefeitura dirigida por Carmena leva a cabo consultas cidadãs sobre as decisões tomadas na web.

"Há um ecossistema que está se encaixando agora, com um marco simbólico mais claro, em que convivem ativistas, hackers e, pela primeira vez, governos que têm interesse na participação direta", indica Bernardo Gutiérrez. O ativisa e responsável dos labs de participação do MediaLab-Prado considera que "o software livre e o código aberto são a base da inovação democrática". Precisamente neste sábado, a instituição madrilenha conta com uma das caras mais visíveis do ciberativismo que chega à política tradicional, a taiwanesa Audrey Tang.

Uma das responsáveis por canalizar a comunicação durante o movimento estudantil girassol - os protestos da cidadania taiwanesa contra a exacerbada aproximação da administração anterior com Pequim- ela será a partir do próximo 1 de outubro a nova ministra digital do país oriental. A nomeação de Tang, uma das mais renomadas especialistas em computação da Ásia, mostra uma tendência crescente: a chegada dos ciberativistas ao campo da política tradicional. Uma das contribuidoras mais influentes da plataforma de código aberto g0v.tw - portal enfocado na transparência do setor público em Taiwan-, Tang está "impressionada com a evolução contínua do sistema CONSUL - o software livre que Decide.Madrid utiliza- a respeito da resposta da audiência", assinalava a programadora a este jornalista.

O software libre contra a cidade inteligente

De um tempo pra cá, muitas cidades têm se somado à proposta das Smart-city, com a promessa de melhores condições de vida. As tecnologias da informação pareciam estar destinadas a acabar com a desigualdade, entretanto, a implementação dessas tecnologias por parte de empresas privadas no espaço urbano tem conduzido a uma centralização da informação. A maioria dos organismos governamentais que estão tentando inovar estão utilizando software de código aberto para que qualquer pessoa possa melhorá-lo. "Não há muitos projetos de participação no mundo que utilizem software da Microsoft", aponta Gutiérrez.

A plataforma Open Ministry do governo finlandês ou a islandesa betrireykjavik.is são dois claros exemplos do caminho que as administrações mais progressistas do planeta estão tomando, adotando tecnologias que facilitam a participação cidadã e a transpareência do setor público. Graças a este tipo de portais, cidades como Helsinki e Madri ou a região de Nariño, na Colômbia, estão criando "uma federação líquida de cidades da democracia direta que vão gerar um novo tipo de cidadãos", conta Gutiérrez.

O caminho a essa sociedade capaz de trabalhar em comum por meio de plataformas tecnológicas lembra a Taptiklis "a busca da cura contra o câncer. Meu pai era um pesquisador sobre este tema. Ele costumava me dizer que não haverá nenhum herói nessa busca, e sim que será o trabalho constante de muitas pessoas em diferentes lugares, mais ou menos conectadas, o que encontrará a solução".


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